as palavras me tomam
quando eu leio
e ainda mais
quanto mais escrevo
transbordam quando
estou triste e
dançam
(em minha mente)
quando estou bem.
as palavras apenas
me faltam nos
mais ou menos
da vida
a poesia, talvez
não aceite a mediocridade.

Escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra.
as palavras me tomam
quando eu leio
e ainda mais
quanto mais escrevo
transbordam quando
estou triste e
dançam
(em minha mente)
quando estou bem.
as palavras apenas
me faltam nos
mais ou menos
da vida
a poesia, talvez
não aceite a mediocridade.

é preciso fazer as pazes
consigo
com os outros
com o passado
com os erros
para construir um futuro
(quase)
sem medo.

quando vocês nasceram
começamos a escrever
uma narrativa
a várias mãos
tecidas
com inúmeros
fios de afeto
palavras fortes
e ternas
histórias amorosas
e eternas.

foi quando decidimos
deixar de apontar
(um no outro)
os defeitos
e encher nossos olhos
de generosidade
que a vida se tornou
mais luminosa
pois
(embora eu goste da lua)
seus olhos passaram
a encher nossas manhãs
de sol

O amor é a antítese da morte.

eu
sempre
falei que a poesia
é a beleza do amor
mas
você
nunca
soube escrever
as palavras certas

O andar acompanhado pela música rouca
Da colcha de retalho de folhas sob os pés
A paisagem bucólica das inúmeras espécies
Por vezes folhosas
Ou floridas
Algumas altas, outras retorcidas
Com seus caules ora lisos
Ora grossos, ora secos
Ora mortos
Impregnam a memória de lembranças
Imagens
Cheiros
E sensações
Esquecidas tão rapidamente
Quanto nossas aflições.

promessas
rezas
aflições
(des)crenças
patuás
intenções.
(…)
traga-me as senhas
os prêmios
os ganhos
os (bons) números
para eu acreditar
em redenções.

talvez eu seja como toda menina
a sonhar, desde sempre,
com um belo tapete cor-de-rosa
(sim, cor-de-rosa!)
a aquietar meus passos.

Parece haver um senso de urgência
Non sense
Inúmeros devaneios de prestígio
Provincianos
Falas em excesso, poucos silêncios
A despojar a musicalidade das coisas.
Ao me deparar com o ridículo
Me calo
(mais do que de costume)
Pois não serei aquela a apontar
A bestialidade dos seres
A desimportância dos fatos
O absurdo dos gestos
O caricato do gozo desmedido
A superficialidade dos afetos
E tantos outros desacertos
Que – graças! – não encontro nas páginas
Em que submerjo.
Pena! Parece faltar poesia ao mundo.
