Imprevisível

no caminho indeterminado da vida – poeira, cascalhos, atalhos e curvas- há imprevistos que nos desconcertam, nos fazem perder a marcha, ralar os joelhos, machucar as mãos. sentimo-nos cochos, vulgares, desprovidos da beleza que o balé dos movimentos provoca em quem o vê. nem sempre fecham-se as feridas, quase nunca esquecem-se os tombos, fatalmente permanecemContinuar lendo “Imprevisível”

Raso

Parece haver um senso de urgência Non sense Inúmeros devaneios de prestígio Provincianos Falas em excesso, poucos silêncios A despojar a musicalidade das coisas. Ao me deparar com o ridículo Me calo (mais do que de costume) Pois não serei aquela a apontar A bestialidade dos seres A desimportância dos fatos O absurdo dos gestosContinuar lendo “Raso”

Quadrilha

se nos encontrarmos, haverá desejo? se nos desejarmos, haverá cama? se nos deitarmos, haverá gozo? se gozarmos, haverá risos? se rirmos, haverá sonhos? se sonharmos, haverá risos? se rirmos, haverá gozo? se gozarmos, haverá cama? se deitarmos, haverá desejo? se desejarmos, haverá encontros? se nos encontrarmos… haverá fim?

Gaia

Ó Deus, nós te damos graças por este universo, nosso lar: pela sua vastidão e riqueza, pela exuberância da vida que o enche e da qual somos parte. Nós te louvamos pela abóbada celeste e pelos ventos, grávidos de bênçãos, pelas nuvens que navegam e pelas constelações lá no alto. Nós te louvamos pelo oceano,Continuar lendo “Gaia”

Re-sentimento

Pegue sua raiva. Ponha-a em um recipiente. Guarde-a. Deixe-a destilando por algum tempo. Não, não despeje-a imediatamente, substância turva, azeda, vômito incontido. Deixe-a quieta. Olhe de longe para ela, analise-a, resguardando-se – o tanto quanto isto for possível! Separe os elementos mais sólidos dos fluidos. Quando percebê-los com nitidez, escolha os mais interessantes. Ou osContinuar lendo “Re-sentimento”