no caminho indeterminado da vida – poeira, cascalhos, atalhos e curvas- há imprevistos que nos desconcertam, nos fazem perder a marcha, ralar os joelhos, machucar as mãos. sentimo-nos cochos, vulgares, desprovidos da beleza que o balé dos movimentos provoca em quem o vê. nem sempre fecham-se as feridas, quase nunca esquecem-se os tombos, fatalmente permanecemContinuar lendo “Imprevisível”
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Resistência
no átrio ou ventrículo (não sei) ficou alojada a bala de prata que tentou matar meus sonhos. não morri tampouco os planos. meu coração se sustenta em costuras de teimosia e persistência, em camadas de diligência e paixão.
Desmonte
numa quase distopia análises nada sintéticas engendram argumentos falaciosos e marcam outros corpos e mentes com medos inconscientes e duras palavras terminantes a diáspora da fantasia perdida é sempre incontornável.
Aleatórias
a maturidade apaga arrependimentos e aquieta o desejo de perfeição **** errei muito, várias vezes, errarei até o fim *** dançamos sob a lua e nossos risos ecoaram pela noite o sol não apaga a felicidade da madrugada ** não quero mágoas nem tantas lembranças tenho preferido vodka com gelo e limão * ando maisContinuar lendo “Aleatórias”
Metade
não me agradam antigas versões minhas estranhas escolhas, outros pensamentos a vida se aproxima da metade de um século e me pego em fase revisional – entristeço-me pelos erros, pelas histórias sedentas de paz, pelas saudades dos que foram, pelos que nunca deveriam ter vindo, pelos lapsos de reflexão, pelas prioridades invertidas, pelas certezas desleixadasContinuar lendo “Metade”
Censo
entrevistador parece esquecer de perguntar sobre as questões mais fundamentais: 1. são muitas as suas dores? 2. com quem você pode contar?
Sirius
na aridez dos tempos achar por entre as frestas risos em cores cafés com creme conversas em si bemol e um punhado de estrelas amontoadas no meio do peito.
Jenga
sempre nos é permitido repensar o pensado rever um argumento escolher outro caminho reparar uma história. como um jogo nada infantil a vida sempre pode ser desfeita e refeita com um novo arranjo de novo e de novo outra vez e mais uma.
Adiante
abraçar os desígnios com franqueza perceber os afetos com nitidez entregar-se ao tempo com mais clareza corrigir os erros com calidez prosseguir com doçura reencantar-se (novamente) com a vida.
Calor
sinto tanto medo dos fantasmas que povoam meus sonhos e das sombras que se escondem pelo perímetro que acordo antes do raiar dia e adormeço ainda com sol. a vida parece não cansar de cobrar em dobro faturas quitadas excessos incorridos planejamentos mal feitos projetos mal sucedidos. o inverno recomeça antes que eu tenha vividoContinuar lendo “Calor”