há uma névoa densa que ainda encobre pensamentos e sonhos obscurece o porvir e suplanta a previsibilidade das coisas com a convicção do caos a constância das incertezas e a descrença na redenção
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Chronos
O tempo voa disse-me o pássaro ao pousar. Vi, em seus olhos, que ele entendia de tempo (e de voo) melhor do que eu.
Ainda assim
querer e querer esquecer do caos do mundo e de cada um das pequenas tragédias pessoais e públicas da nossa humanidade frágil e altiva desta vida estranha e imprevisível.
Jenga
sempre nos é permitido repensar o pensado rever um argumento escolher outro caminho reparar uma história. como um jogo nada infantil a vida sempre pode ser desfeita e refeita com um novo arranjo de novo e de novo outra vez e mais uma.
Reminiscência
às vezes não me lembro e, se recordo, não me reconheço de tantas que fui do quanto mudei. renasço! quem fui, não sou mais quem vou ser, ainda não sei.
Vertigem
há laços desatados que se acumulam dentro, em nós na garganta, atos perversos que nos poluem com histórias que não queremos viver, intensos afetos que nos ferem como lanças em chama na boca do estômago. há o cansaço, que rechaça o deboche e mantém apartada a raiva e a longa espera diariamente atualizada por novosContinuar lendo “Vertigem”
Alheios
há becos escuros em minha garganta palavras não ditas que se transformam em anseios sombrios, vigília e assombrações. o passado a desamparar o presente o presente a desconfiar do futuro o futuro a sepultar idealizações. o inferno, talvez, sejam mesmo os outros.
Cura
é preciso fazer as pazes consigo com os outros com o passado com os erros para construir um futuro (quase) sem medo.
Aurora
ainda que tudo gire em torno de fins e recomeços calendários e previsões sigo desejando amanhecer.
24/2020
o louco, a morte, a torre o descarrilamento do comboio a (des)crença no destino a tormenta inclemente na mente nos sonhos nos fatos na gente.