“Nenhum problema é insolúvel, nenhuma resposta é derradeira” (Galimberti) os sentimentos que brotaram entre os vãos (que mantive abertos) se dissipam quando os deixo escorrer por entre os medos (que não mais tenho).
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Perda
quando a zombaria nervosa e debochada da sandice substitui o antes riso largo e espontâneo da amabilidade é porque a curva já se fez fechada e os olhos só descansarão se bem abertos.
Alheios
há becos escuros em minha garganta palavras não ditas que se transformam em anseios sombrios, vigília e assombrações. o passado a desamparar o presente o presente a desconfiar do futuro o futuro a sepultar idealizações. o inferno, talvez, sejam mesmo os outros.
Poema em linha reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo (…) Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida… Quem me dera ouvir de alguém a voz humana QueContinuar lendo “Poema em linha reta”
Coisas de mulher
Toda mulher gosta de ir ao cabeleireiro. Fazer unhas, escova, depilação, mechas. Cortar as madeixas. Compromisso semanal consigo e com a atualização de dados sobre a vida alheia. Como resistir? Resigno-me a achar que sou diferente da maioria. Odeio salões de beleza, fofocas sobre as frequentadoras, leituras de revistas Caras. Faço eu mesma minhas unhasContinuar lendo “Coisas de mulher”
Re-sentimento
Pegue sua raiva. Ponha-a em um recipiente. Guarde-a. Deixe-a destilando por algum tempo. Não, não despeje-a imediatamente, substância turva, azeda, vômito incontido. Deixe-a quieta. Olhe de longe para ela, analise-a, resguardando-se – o tanto quanto isto for possível! Separe os elementos mais sólidos dos fluidos. Quando percebê-los com nitidez, escolha os mais interessantes. Ou osContinuar lendo “Re-sentimento”