há uma névoa densa que ainda encobre pensamentos e sonhos obscurece o porvir e suplanta a previsibilidade das coisas com a convicção do caos a constância das incertezas e a descrença na redenção
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Pergunta
todos os dias quando teu sorriso atravessa meus silêncios quando tua lembrança costura o correr das horas e tua voz ecoa em meus poemas me pergunto se ocupo o mesmo espaço em ti que preenches em mim, se tua vida me faz um convite aberto ou se não passo de um pequeno momento e umaContinuar lendo “Pergunta”
Introspectar
Acordei pensando no quão injusto é que só possamos experienciar a vida a partir do nosso corpo. Uma vida todinha a partir do mesmo corpo, que sequer é o mesmo a vida toda. E quão injusto é com o mundo que cada habitante só saiba de si. Os passarinhos cantam lá fora e não seiContinuar lendo “Introspectar”
Guarida
vou passar por aí nesta semana para combinarmos de sair um pouco dos trilhos não que a vida já não esteja descarrilada mas preciso tomar uma soda italiana e lembrar das risadas que dividíamos quando imitávamos os mais velhos dando sermões por quase nada preciso pegar em suas mãos para guardar a certeza de queContinuar lendo “Guarida”
Ângulo
aprendi a afastar o medo aprendi que acertar demora a vida, afinal, é o que acontece cá dentro mesmo que tudo desabe lá fora
Resistência
no átrio ou ventrículo (não sei) ficou alojada a bala de prata que tentou matar meus sonhos. não morri tampouco os planos. meu coração se sustenta em costuras de teimosia e persistência, em camadas de diligência e paixão.
Enfrente as feras
a ferocidade do viver ao subjugar o caos o inevitável e o (quase) incontornável ao enfrentar o descrédito na humanidade e o medo da iniquidade sobrevive aos nossos piores dias aos nossos piores medos aos caprichos da vida ao imprevisto das horas para nos amparar no ontem, no agora e (queira deus) pelos séculos (amém).
Meia-idade
Quando temos 18, fazer 50 anos nos parece tão distante… Lembro-me quando completei 39 e (privilégio dos 9), tive uma crise de meia-idade. No instante em que me dei conta de que aquele era o último ano com 30, senti, de súbito, o tempo passar em mim. Afinal, quando eu era criança e ouvia alguémContinuar lendo “Meia-idade”
Ondeante
foi tempo a descobrir que o compasso da música é dado de dentro que dançar é mesmo o movimento da vida esse bailado sem pausas em ritmos diversos escolhidos no vai e vem dos ruídos e dos silêncios das pessoas e dos gestos das histórias e dos anseios.
Metade
não me agradam antigas versões minhas estranhas escolhas, outros pensamentos a vida se aproxima da metade de um século e me pego em fase revisional – entristeço-me pelos erros, pelas histórias sedentas de paz, pelas saudades dos que foram, pelos que nunca deveriam ter vindo, pelos lapsos de reflexão, pelas prioridades invertidas, pelas certezas desleixadasContinuar lendo “Metade”