há uma névoa densa que ainda encobre pensamentos e sonhos obscurece o porvir e suplanta a previsibilidade das coisas com a convicção do caos a constância das incertezas e a descrença na redenção
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Ângulo
aprendi a afastar o medo aprendi que acertar demora a vida, afinal, é o que acontece cá dentro mesmo que tudo desabe lá fora
Experimentação
quando mergulhei naquele rio lodoso, eu estava de costas, nunca havia mergulhado em rio, tampouco de costas, não conhecia a profundidade, o terror escuro do fundo, as águas que pareceram me carregar para a morte, machuquei-me ao tocar o piso quando alcancei o pé e um tanto mais ao sair da água e carreguei asContinuar lendo “Experimentação”
Réquiem
“Nenhum problema é insolúvel, nenhuma resposta é derradeira” (Galimberti) os sentimentos que brotaram entre os vãos (que mantive abertos) se dissipam quando os deixo escorrer por entre os medos (que não mais tenho).
24/2020
o louco, a morte, a torre o descarrilamento do comboio a (des)crença no destino a tormenta inclemente na mente nos sonhos nos fatos na gente.
Veredas
há muito dito nos pequenos vãos dessa história nas muitas quebras onde acaba por entrar a luz mas eles não minimizam as dores, tampouco mudam os fatos e as dúvidas arrefecem qualquer condição de normalidade busco respostas e caminhos sem aflição e sem medo e não me incomodam mais os pesares alheios exteriores que sãoContinuar lendo “Veredas”
Sem efeito
Malfeitos Desfeitos Refeitos Imperfeitos. A vida ainda há De me olhar por cima De minhas tolices E meus defeitos E gritar bem alto: Bem feito!
Descaminho
estrada oblíqua atravessa a mente e corta o peito em atos enredos e fatos (todos falhos) deixando, por fim somente pó e nada mais.
Inventário de medos
Tenho medo de emergir em mim mesma De não achar o fio da trama dos sentimentos absurdos Tenho medo de encontrar os fios E descobrir enredos internos obtusos. Tenho medo de acreditar na sorte De confiar em caminhos cheios de sonhos Tenho medo da falta de sorte Do inesperado, do desespero, da ausência de controle.Continuar lendo “Inventário de medos”
Piripaque
tem horas em que mesmo perseverando, mantendo a firmeza, aguentando todas as pressões, deixamos de suportar. sucumbimos, passamos mal, temos um momento ruim. a sensação de enjoo, a reviravolta dos sentidos, o suor escorrendo pelas costas. deitei-me no chão e ergui as pernas na cadeira. fiquei ali sozinha, sala escura, por longos minutos, interminável tempoContinuar lendo “Piripaque”