desnudar-me
entregar-me em teus braços,
teus beijos,
teu corpo.
desejar-te por inteiro
e adoçar meus lábios em ti
enquanto seguras meus cabelos
e me arrepias com tua voz.
sentir que o mundo cessa,
se mantém suspenso
enquanto extasia-se por nós.

Escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra.
desnudar-me
entregar-me em teus braços,
teus beijos,
teu corpo.
desejar-te por inteiro
e adoçar meus lábios em ti
enquanto seguras meus cabelos
e me arrepias com tua voz.
sentir que o mundo cessa,
se mantém suspenso
enquanto extasia-se por nós.

ler teus passos
para decifrar teus movimentos
observar teu sorriso
para me encantar com o gesto de teus lábios
estender-te a mão
para ir em tua direção
acarinhar tua pele
para que teu perfume me acompanhe no passar das horas

as horas do meu dia
costuradas com a tua cor
o sabor de cada hora
pleno do gosto dos teus lábios
todos os meus afazeres
enevoados de tua presença
o meu barco atracado no teu porto.

perceber os limites dos espaços
onde as palavras escorregam na inação
olhar a porta entreaberta
e entender o desconvite a entrar
não criar expectativas
se dar conta do próprio tamanho
assumir a pequenez
e optar, talvez, por não ser, não estar, não ficar.

há uma coisa forte
linda
frágil
em viver um amor
entrar no mar
dançar um tango
e olhar as estrelas.

deixemos o tempo
correr em perguntas
e (possíveis) respostas
na ilusão (talvez)
de que ele – tempo –
decida por si
o que cabe a nós
resolver.

amar me esmaece
suspensa
entre o voo e a queda
frágil que me sinto
no descontrole
do movimento
inebriada pelo impulso
entorpecida pelo salto
entregue, por fim,
às correntes de vento

há uma névoa densa
que ainda encobre
pensamentos e sonhos
obscurece o porvir e
suplanta a previsibilidade das coisas
com a convicção do caos
a constância das incertezas
e a descrença na redenção

todos os dias
quando teu sorriso atravessa meus silêncios
quando tua lembrança costura o correr das horas
e tua voz ecoa em meus poemas
me pergunto se ocupo o mesmo espaço em ti
que preenches em mim,
se tua vida me faz um convite aberto
ou se não passo de um pequeno momento
e uma doce memória
em tuas noites

há um tanto de ti em todos os meus dias
teu livro em minha cabeceira
teu perfume em minhas roupas
o rastro do teu sorriso em minha memória
o toque de tuas mãos em meus desejos
espaço preenchido
presença que não se esvai
minha vida querendo tua estada
