há um tanto de ti em todos os meus dias teu livro em minha cabeceira teu perfume em minhas roupas o rastro do teu sorriso em minha memória o toque de tuas mãos em meus desejos espaço preenchido presença que não se esvai minha vida querendo tua estada
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Introspectar
Acordei pensando no quão injusto é que só possamos experienciar a vida a partir do nosso corpo. Uma vida todinha a partir do mesmo corpo, que sequer é o mesmo a vida toda. E quão injusto é com o mundo que cada habitante só saiba de si. Os passarinhos cantam lá fora e não seiContinuar lendo “Introspectar”
Cidade Terminal
a cidade se mostra com seus muros altos e cinzas de onde florescem concertinas, alarmes e cercas as ruas semi cheias de grandes carros inurbanos a compensar as pequenas mentes dos proprietários o seco calor que inflama as ideias e os afetos com grandes enxurradas de incômodos as rasas crenças em diminutas autoridades servis aContinuar lendo “Cidade Terminal”
Equinócio
a chegada do outono parece nos perdoar de nossos erros até mesmo daqueles que cometemos sem querer.
Fenda
há uma fissura em algum lugar da alma de onde emergem demandas pueris tolas infantes incrustadas num beco escuro da memória dos tempos imemoriais.
Sirius
na aridez dos tempos achar por entre as frestas risos em cores cafés com creme conversas em si bemol e um punhado de estrelas amontoadas no meio do peito.
Sinfônica
o concerto de corpos ritmado por risos e sussurros torna-se suspenso nos instantes em que assumem a regência nossos lábios impuros.
Trivial
as palavras me tomam quando eu leio e ainda mais quanto mais escrevo transbordam quando estou triste e dançam (em minha mente) quando estou bem. as palavras apenas me faltam nos mais ou menos da vida a poesia, talvez não aceite a mediocridade.
Dissonância
eu sempre falei que a poesia é a beleza do amor mas você nunca soube escrever as palavras certas
Raso
Parece haver um senso de urgência Non sense Inúmeros devaneios de prestígio Provincianos Falas em excesso, poucos silêncios A despojar a musicalidade das coisas. Ao me deparar com o ridículo Me calo (mais do que de costume) Pois não serei aquela a apontar A bestialidade dos seres A desimportância dos fatos O absurdo dos gestosContinuar lendo “Raso”