a cidade se mostra com seus muros altos e cinzas de onde florescem concertinas, alarmes e cercas as ruas semi cheias de grandes carros inurbanos a compensar as pequenas mentes dos proprietários o seco calor que inflama as ideias e os afetos com grandes enxurradas de incômodos as rasas crenças em diminutas autoridades servis aContinuar lendo “Cidade Terminal”
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Guarida
vou passar por aí nesta semana para combinarmos de sair um pouco dos trilhos não que a vida já não esteja descarrilada mas preciso tomar uma soda italiana e lembrar das risadas que dividíamos quando imitávamos os mais velhos dando sermões por quase nada preciso pegar em suas mãos para guardar a certeza de queContinuar lendo “Guarida”
Censo
entrevistador parece esquecer de perguntar sobre as questões mais fundamentais: 1. são muitas as suas dores? 2. com quem você pode contar?
Vertigem
há laços desatados que se acumulam dentro, em nós na garganta, atos perversos que nos poluem com histórias que não queremos viver, intensos afetos que nos ferem como lanças em chama na boca do estômago. há o cansaço, que rechaça o deboche e mantém apartada a raiva e a longa espera diariamente atualizada por novosContinuar lendo “Vertigem”
Quereres
você sempre falou as palavras que quis da forma que quis é por isso que meus silêncios já não mais te querem
Filhos
quando vocês nasceram começamos a escrever uma narrativa a várias mãos tecidas com inúmeros fios de afeto palavras fortes e ternas histórias amorosas e eternas.
Luz
foi quando decidimos deixar de apontar (um no outro) os defeitos e encher nossos olhos de generosidade que a vida se tornou mais luminosa pois (embora eu goste da lua) seus olhos passaram a encher nossas manhãs de sol
Raso
Parece haver um senso de urgência Non sense Inúmeros devaneios de prestígio Provincianos Falas em excesso, poucos silêncios A despojar a musicalidade das coisas. Ao me deparar com o ridículo Me calo (mais do que de costume) Pois não serei aquela a apontar A bestialidade dos seres A desimportância dos fatos O absurdo dos gestosContinuar lendo “Raso”
Agravo
Quando a boca muito fala E se queixa em demasia As palavras se perdem No emaranhado de lamentos, injúrias E vazios. Palavras, elas sim, Janelas da alma. Não há poema que as salve.
Luzes do dia
As narrativas sobre os fatos atravessam a realidade São muitas falas e ruídos que (quase) determinam nosso modo de olhar a vida Há tantos barulhos, buzinas, gritos de ordem Notícias, televisão, rádio, análises Certezas, discussões, ânimos exaltados, excesso de fala Que até os nossos silêncios tornam-se ruidosos A nossa voz se apaga, tão rouca queContinuar lendo “Luzes do dia”