Luzes do dia

As narrativas sobre os fatos atravessam a realidade

São muitas falas e ruídos que (quase) determinam nosso modo de olhar a vida

Há tantos barulhos, buzinas, gritos de ordem

Notícias, televisão, rádio, análises

Certezas, discussões, ânimos exaltados, excesso de fala

Que até os nossos silêncios tornam-se ruidosos

A nossa voz se apaga, tão rouca que parece.

Quando a noite chega sem o conforto da brisa leve depois do dia quente

O corpo exausto pede por qualquer melodia adocicada

Estética, cadenciada, consoante com as vozes do espírito perdidas no caos na realidade

Para quietar os outros e os pensamentos

Para dissipar o inferno e o mormaço

Para retornar a nós os afetos que nos salvam.

Óleo de Marc Chalmé.

Publicado por Ana Bittencourt

escrever para remendar a infância a loucura escrever para estranhar o pai a mãe semelhanças escrever para cerzir terra corpo paisagem escrever carne viva (Tatiana Pequeno)

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