Raso

Parece haver um senso de urgência

Non sense

Inúmeros devaneios de prestígio

Provincianos

Falas em excesso, poucos silêncios

A despojar a musicalidade das coisas.

Ao me deparar com o ridículo

Me calo

(mais do que de costume)

Pois não serei aquela a apontar

A bestialidade dos seres

A desimportância dos fatos

O absurdo dos gestos

O caricato do gozo desmedido

A superficialidade dos afetos

E tantos outros desacertos

Que – graças! – não encontro nas páginas

Em que submerjo.

Pena! Parece faltar poesia ao mundo.

O nascimento do mundo. Joan Miró, 1941.

Publicado por Ana Bittencourt

escrever para remendar a infância a loucura escrever para estranhar o pai a mãe semelhanças escrever para cerzir terra corpo paisagem escrever carne viva (Tatiana Pequeno)

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