Piripaque

tem horas em que mesmo perseverando, mantendo a firmeza, aguentando todas as pressões, deixamos de suportar. sucumbimos, passamos mal, temos um momento ruim. a sensação de enjoo, a reviravolta dos sentidos, o suor escorrendo pelas costas. deitei-me no chão e ergui as pernas na cadeira. fiquei ali sozinha, sala escura, por longos minutos, interminável tempo de pavor pelo incontrolável. segui com aquela sensação o resto do dia: no chão, vendo a energia se esvaindo, o corpo esquecendo o rumo, a vida perdendo sentido. na alma, ficaram incrustadas a longa espera, a chegada ao limite, o fracasso do que importa, o desejo de jogar a toalha. onde se reencontra a leveza das coisas?

Publicado por Ana Bittencourt

escrever para remendar a infância a loucura escrever para estranhar o pai a mãe semelhanças escrever para cerzir terra corpo paisagem escrever carne viva (Tatiana Pequeno)

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