as culpas se entrelaçaram: minhas, tuas, nossas. desculpar-se não desfaz os malfeitos. o nevoeiro das decisões maltrapilhas não se dissipa na falha da claridade. até a lua se acovarda frente ao vendaval. o meu eu sombrio não pode mais se autoproclamar real. a restinga da narrativa construída em cercania de dor geme sua descoberta. oContinuar lendo “Sem perdão”
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Calendário
os dias seguem com os assombros do agora. somos tomados pelo tempo em dimensões covardes. deixamos de viver a singularidade dos dias com os outros e estamos mergulhados na infinidade de nós mesmos. vemos, pela graça dos recursos tecnológicos, os bebês de ontem andando, a abundância dos cabelos das meninas em longas tranças, as calçasContinuar lendo “Calendário”
Meu primeiro amor
Muito me ensinou meu primeiro amor. Ensinou-me que amar é tarefa para uma vidaE que, mesmo quem ama, não está isento de cometer erros.Que os erros que cometemos não são imperdoáveis.E que o desejo do amor e do reconhecimento persistirá, não importa nossa idade. Ensinou-me que devemos ser gratos para com os presentes da vida.CorretosContinuar lendo “Meu primeiro amor”
trama
há, em todas as coisas, uma lógica subjacente que foge ao nosso entendimento… a vida é feita por tramas entrelaçadas em tão perfeita composição que não nos cabe buscar, dos fatos, uma razão…
sem tempo
Não encontro tempoPara devanearNuma vida acelerada.É como se o tempo, sem moradaFicasse preso, engarrafadoNa subida da estrada.
Bug
Pequeno inseto voando pousou sobre o seu braço e deu-lhe uma ferroada. E o menino chorou. Senti sua dor na medida em que via a pele ao redor da picada ficar vermelha e inchada. Sim, meu filho, doem as ferroadas. Não, não acontece apenas uma vez na vida. Sim, há venenos mais potentes e outrosContinuar lendo “Bug”