Nunca conheci quem tivesse levado porrada Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo (…) Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida… Quem me dera ouvir de alguém a voz humana QueContinuar lendo “Poema em linha reta”
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Perdão
Não vou te perdoar Simplesmente porque não há razões Não há mal algum Desajuste Instabilidade Ou colapso Que tenha causado Que eu não tenha feito antes (e pior) A mim E a ti. Não precisas de perdão Desculpas Ou retratações. Nunca foi necessário. Quanto a mim, Que Deus, pelo menos, Tenha piedade das minhas faltasContinuar lendo “Perdão”
Análise
Deito-me no divã E me escuto falar Da minha compreensão obtusa Dos papéis encenados Dos imbróglios tão pouco alheios Dos meus hiatos Dos meus lapsos de juízo Das minhas atuações… Vejo-me tola e insensata Amaldiçoada por rastros de devaneios Que criam irrealidades E perpetuam gestos hiperbólicos. Encontro-me menina de novo e de novo Farto aContinuar lendo “Análise”
Descaminho
estrada oblíqua atravessa a mente e corta o peito em atos enredos e fatos (todos falhos) deixando, por fim somente pó e nada mais.
Distimia
Um diagnóstico nunca é uma solução; talvez a explicação para eventos da vida que atrapalham e incomodam a si e aos outros. Um tapa na cara ao perceber que a culpa pelas falhas cometidas nas relações com os outros é quase exclusivamente sua. Mas, também, a possibilidade de começar a buscar mudanças. Também conhecida comoContinuar lendo “Distimia”
Sentido
Trazia nos olhos turvos A névoa da renúncia A certeza do carrossel de aflições Que atinge os errantes. Emoldurava os sorrisos de outrora Na vã tentativa de se agarrar A nacos de certezas E memórias de calmaria. Seguia em ritmo de ciranda Meio vaga, um tanto evanescente Nessa busca atordoante que fazemos por algum cabimento.
Inventário de medos
Tenho medo de emergir em mim mesma De não achar o fio da trama dos sentimentos absurdos Tenho medo de encontrar os fios E descobrir enredos internos obtusos. Tenho medo de acreditar na sorte De confiar em caminhos cheios de sonhos Tenho medo da falta de sorte Do inesperado, do desespero, da ausência de controle.Continuar lendo “Inventário de medos”
Sem litígio
Que as palavras amanheçam Tornadas versos sibilados por desejos Verdadeiros, intensos. Que as cicatrizes Possam se curar Resguardadas por belas tatuagens. Que nossos crimes Possam ser perdoados Pequenos que somos em nossa humanidade.
17 anos
Hoje ele faz 17. O tempo entre o sonho, a barriga que se avolumou e ele tão dono de si, parece o mesmo de um suspirar. Ele trouxe cores, cheiros e sons novos para minha vida. Virou o que eu pensava saber do avesso, quebrou minha rotina e meus horários, acordou-me por muito tempo antesContinuar lendo “17 anos”
Piripaque
tem horas em que mesmo perseverando, mantendo a firmeza, aguentando todas as pressões, deixamos de suportar. sucumbimos, passamos mal, temos um momento ruim. a sensação de enjoo, a reviravolta dos sentidos, o suor escorrendo pelas costas. deitei-me no chão e ergui as pernas na cadeira. fiquei ali sozinha, sala escura, por longos minutos, interminável tempoContinuar lendo “Piripaque”