Análise

Deito-me no divã

E me escuto falar

Da minha compreensão obtusa

Dos papéis encenados

Dos imbróglios tão pouco alheios

Dos meus hiatos

Dos meus lapsos de juízo

Das minhas atuações…

Vejo-me tola e insensata

Amaldiçoada por rastros de devaneios

Que criam irrealidades

E perpetuam gestos hiperbólicos.

Encontro-me menina de novo e de novo

Farto a memória

Expio culpas e rearranjo histórias

Calo-me, por fim.

E meus silêncios dizem mais do que me fiz escutar.

Anoiteço e amanheço do avesso

Entrecortada que estou por tanta singularidade.

Arquivo Pessoal, Museu Freud, Viena.

Publicado por Ana Bittencourt

escrever para remendar a infância a loucura escrever para estranhar o pai a mãe semelhanças escrever para cerzir terra corpo paisagem escrever carne viva (Tatiana Pequeno)

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