Deito-me no divã
E me escuto falar
Da minha compreensão obtusa
Dos papéis encenados
Dos imbróglios tão pouco alheios
Dos meus hiatos
Dos meus lapsos de juízo
Das minhas atuações…
Vejo-me tola e insensata
Amaldiçoada por rastros de devaneios
Que criam irrealidades
E perpetuam gestos hiperbólicos.
Encontro-me menina de novo e de novo
Farto a memória
Expio culpas e rearranjo histórias
Calo-me, por fim.
E meus silêncios dizem mais do que me fiz escutar.
Anoiteço e amanheço do avesso
Entrecortada que estou por tanta singularidade.
