medos
tormentas
estranhos
vícios
quimeras
delírios
insólitos
artifícios.
crenças
irrealidades
auspícios.
que possamos ser
protegidos
de nós.

Escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra.
medos
tormentas
estranhos
vícios
quimeras
delírios
insólitos
artifícios.
crenças
irrealidades
auspícios.
que possamos ser
protegidos
de nós.

Google não substitui terapia. Café com os amigos também não.

você
eu
não há
mais
nós.
foram
todos
desatados.

Meu pequeno hoje faz 15 anos, o que o faz não ser mais tão pequeno assim. Nasceu num belo dia de inverno, ensolarado e frio, final de uma Copa do Mundo. Enquanto todos assistiam ao jogo entre Itália e França, ele se aninhava em meus braços, em meio a murmúrios de recém-nascido.
Gostava muito de colo e continua gostando, embora esteja bem mais alto do que eu. Sempre muito carinhoso e doce, mostrou-se, ao longo do tempo também bravo e espirituoso. Gosta de longas prosas, de piadas, de partilhas de momentos em família, de conversas sobre tudo e sobre o nada. Traz assuntos para discutir entre todos, outros apenas para seu pai e alguns, ainda, apenas para mim.
Curte brincos, pulseira, roupas extravagantes. Faz combinações de peças não tão agradáveis aos mais conservadores. Toca vários instrumentos: saxofone, piano, violão e guitarra. Pede para que o ensine a cozinhar e arrisca preparar alguns pratos. Sabe o que quer e sabe ser ele mesmo. Tem certeza de que é amado e que sempre poderá contar conosco.
Trouxe vida, barulho e movimento para nossa vida e nossa casa. Trouxe ciúmes para o irmão mais velho, com quem divide os pais, a casa, os planos, as conversas. Virou de cabeça para baixo nosso mundo, em meio a uma mudança que veio junto ao seu nascimento. Mas realinhou-nos em outros caminhos, em novos sorrisos e grandes experiências. Trouxe-nos, sobretudo, a certeza do milagre da multiplicação do amor.

Quem fala pode esquecer o que diz; quem escuta, jamais.

acabou o baile
e a fantasia jaz
ao lado
da pista
…
turvam-se
os brocados
desfazem-se
os sorrisos
empoeiram-se
os enfeites
inertes
…
aproxima-se
o inverno
e as noites
ficam mais
longas
…
recolho-me
sem sol
sem sonidos
sem esperas.

Ninguém deixará de ser quem é apenas por estar com você.
Pedi à cartomante
Mudar meu passado
Rasguei as cartas
Tua caligrafia
Insultei tuas neuroses
Escondi minhas manias
Gritei com a parede
Chutei os sapatos
Baguncei tudo
Joguei fora os versos
Tomei taças de gim
Na vã tentativa
De voltar atrás.

O pior cego é aquele que não se enxerga.
há aqueles que nos roubam
e, por vezes, só percebemos
ao sermos tomados
de assalto.
