às vezes não me lembro e,
se recordo, não me reconheço
de tantas que fui
do quanto mudei.
renasço!
quem fui, não sou mais
quem vou ser, ainda não sei.

Escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra.
às vezes não me lembro e,
se recordo, não me reconheço
de tantas que fui
do quanto mudei.
renasço!
quem fui, não sou mais
quem vou ser, ainda não sei.

o concerto de corpos
ritmado por risos
e sussurros
torna-se suspenso
nos instantes
em que assumem
a regência
nossos lábios impuros.

os versos a serem escritos
perderam-se no precipício
dos instantes infinitesimais
entre o antes e o agora
emaranharam-se no rol
de silêncios abissais emitidos
morreram nos desejos
insustentáveis profanados
no céu da sua boca.

teus olhos felinos
a me espreitar o sono
tuas mãos vacilantes
a acariciar meu dorso
teus argumentos exaustivos
a rodopiar em minha mente
tuas paranoias criativas
a martelar meu espaço distante
traços fantasmagóricos
de uma outra história
estranhas lembranças
de alguma outra vida
a arrancar palavras suaves
para calar a cobiça
a gritar silêncios cortantes
para declarar a ruína.

às seis da manhã passo um café
e sento com meus fantasmas
botamos as cartas na mesa
sobre luto, cicatrizes, memórias.
falamos das marcas gravadas na pele
dos caminhos, escolhas e histórias
e discutimos sobre
reparações.
choro revelando
lembranças que permanecem
(embora não permaneçamos os mesmos),
incômodos que ficam
e tropeços.
confesso que os sonhos da noite
são cada vez mais raros durante os dias
e que a perda da inocência
é quase tão dura
quantos os golpes, quase tão triste
quanto a morte.

O contraponto
do príncipe
é o sapo.
O da quimera,
a realidade
sempre a nos gritar
os fatos.

O frio seco desgrenha os cabelos e
traz ventos de memórias antigas,
desejo de desconhecer dores,
de reescrever capítulos,
e restaurar afetos.
Ontem, um pouco de chuva
veio molhar meus olhos.
Hoje, há jazz e café servidos na mesa.

Por quase 360 dias
Nos embriagamos
De versos
Champanhe
E risos.
Pena a sobriedade
Me cair tão bem.

abraçar os desígnios
com franqueza
perceber os afetos
com nitidez
entregar-se ao tempo
com mais clareza
corrigir os erros
com calidez
prosseguir
com doçura
reencantar-se
(novamente)
com a vida.

com quantas cores
se faz um universo?
qual a paleta
do entardecer?

Já tem uma conta no WordPress.com? Entre agora.