O andar acompanhado pela música rouca Da colcha de retalho de folhas sob os pés A paisagem bucólica das inúmeras espécies Por vezes folhosas Ou floridas Algumas altas, outras retorcidas Com seus caules ora lisos Ora grossos, ora secos Ora mortos Impregnam a memória de lembranças Imagens Cheiros E sensações Esquecidas tão rapidamente Quanto nossasContinuar lendo “Passeio”
Arquivos do autor:Ana Bittencourt
Loteria
promessas rezas aflições (des)crenças patuás intenções. (…) traga-me as senhas os prêmios os ganhos os (bons) números para eu acreditar em redenções.
Carpete
talvez eu seja como toda menina a sonhar, desde sempre, com um belo tapete cor-de-rosa (sim, cor-de-rosa!) a aquietar meus passos.
Raso
Parece haver um senso de urgência Non sense Inúmeros devaneios de prestígio Provincianos Falas em excesso, poucos silêncios A despojar a musicalidade das coisas. Ao me deparar com o ridículo Me calo (mais do que de costume) Pois não serei aquela a apontar A bestialidade dos seres A desimportância dos fatos O absurdo dos gestosContinuar lendo “Raso”
Corte
Não há redenção a um poema Quando os versos que penetram os olhos Foram afiados na língua.
De hoje
Se te pareço ausente, não creias:hora a hora minha dor agarra-se aos teus braços,hora a hora meu desejo revolve teus escombros,e escorrem dos meus olhos mais promessas.Não acredites nesse breve sono;não dês valor maior ao meu silêncio;e se leres recados numa folha branca,Não creias também: é preciso encostarteus lábios nos meus lábios para ouvir. NemContinuar lendo “De hoje”
Agravo
Quando a boca muito fala E se queixa em demasia As palavras se perdem No emaranhado de lamentos, injúrias E vazios. Palavras, elas sim, Janelas da alma. Não há poema que as salve.
Aurora
ainda que tudo gire em torno de fins e recomeços calendários e previsões sigo desejando amanhecer.
24/2020
o louco, a morte, a torre o descarrilamento do comboio a (des)crença no destino a tormenta inclemente na mente nos sonhos nos fatos na gente.
Inferno
Na mulher nefasta que habita suas fantasias e enredos esboçados, mora uma criança tola, assustada e ávida por algum apreço. Nas linhas tortuosas de suas histórias amargas e das palavras de onde irrompe fel, mora o deleite de quem esqueceu o gozo. Nos fatos arranjados das tramas nas quais a culpa é sempre alheia, habitaContinuar lendo “Inferno”