as palavras me tomam quando eu leio e ainda mais quanto mais escrevo transbordam quando estou triste e dançam (em minha mente) quando estou bem. as palavras apenas me faltam nos mais ou menos da vida a poesia, talvez não aceite a mediocridade.
Arquivos do autor:Ana Bittencourt
Cura
é preciso fazer as pazes consigo com os outros com o passado com os erros para construir um futuro (quase) sem medo.
Filhos
quando vocês nasceram começamos a escrever uma narrativa a várias mãos tecidas com inúmeros fios de afeto palavras fortes e ternas histórias amorosas e eternas.
Luz
foi quando decidimos deixar de apontar (um no outro) os defeitos e encher nossos olhos de generosidade que a vida se tornou mais luminosa pois (embora eu goste da lua) seus olhos passaram a encher nossas manhãs de sol
Namorados
O amor é a antítese da morte.
Dissonância
eu sempre falei que a poesia é a beleza do amor mas você nunca soube escrever as palavras certas
Passeio
O andar acompanhado pela música rouca Da colcha de retalho de folhas sob os pés A paisagem bucólica das inúmeras espécies Por vezes folhosas Ou floridas Algumas altas, outras retorcidas Com seus caules ora lisos Ora grossos, ora secos Ora mortos Impregnam a memória de lembranças Imagens Cheiros E sensações Esquecidas tão rapidamente Quanto nossasContinuar lendo “Passeio”
Loteria
promessas rezas aflições (des)crenças patuás intenções. (…) traga-me as senhas os prêmios os ganhos os (bons) números para eu acreditar em redenções.
Carpete
talvez eu seja como toda menina a sonhar, desde sempre, com um belo tapete cor-de-rosa (sim, cor-de-rosa!) a aquietar meus passos.
Raso
Parece haver um senso de urgência Non sense Inúmeros devaneios de prestígio Provincianos Falas em excesso, poucos silêncios A despojar a musicalidade das coisas. Ao me deparar com o ridículo Me calo (mais do que de costume) Pois não serei aquela a apontar A bestialidade dos seres A desimportância dos fatos O absurdo dos gestosContinuar lendo “Raso”