Não vou te perdoar Simplesmente porque não há razões Não há mal algum Desajuste Instabilidade Ou colapso Que tenha causado Que eu não tenha feito antes (e pior) A mim E a ti. Não precisas de perdão Desculpas Ou retratações. Nunca foi necessário. Quanto a mim, Que Deus, pelo menos, Tenha piedade das minhas faltasContinuar lendo “Perdão”
Arquivos do autor:Ana Bittencourt
Análise
Deito-me no divã E me escuto falar Da minha compreensão obtusa Dos papéis encenados Dos imbróglios tão pouco alheios Dos meus hiatos Dos meus lapsos de juízo Das minhas atuações… Vejo-me tola e insensata Amaldiçoada por rastros de devaneios Que criam irrealidades E perpetuam gestos hiperbólicos. Encontro-me menina de novo e de novo Farto aContinuar lendo “Análise”
Descaminho
estrada oblíqua atravessa a mente e corta o peito em atos enredos e fatos (todos falhos) deixando, por fim somente pó e nada mais.
Distimia
Um diagnóstico nunca é uma solução; talvez a explicação para eventos da vida que atrapalham e incomodam a si e aos outros. Um tapa na cara ao perceber que a culpa pelas falhas cometidas nas relações com os outros é quase exclusivamente sua. Mas, também, a possibilidade de começar a buscar mudanças. Também conhecida comoContinuar lendo “Distimia”
Sentido
Trazia nos olhos turvos A névoa da renúncia A certeza do carrossel de aflições Que atinge os errantes. Emoldurava os sorrisos de outrora Na vã tentativa de se agarrar A nacos de certezas E memórias de calmaria. Seguia em ritmo de ciranda Meio vaga, um tanto evanescente Nessa busca atordoante que fazemos por algum cabimento.
Inventário de medos
Tenho medo de emergir em mim mesma De não achar o fio da trama dos sentimentos absurdos Tenho medo de encontrar os fios E descobrir enredos internos obtusos. Tenho medo de acreditar na sorte De confiar em caminhos cheios de sonhos Tenho medo da falta de sorte Do inesperado, do desespero, da ausência de controle.Continuar lendo “Inventário de medos”
Aceita-me como sou
ouvidos que enlaçam palavras que serenam o amor não precisa ser cruel
Porvir
fez-se um silêncio turvo depois da desordem, e o ar sólido embaçou os pensamentos. atrás da vidraça, desvio de tempo imensurável onde se dependuraram assombros se apagaram propósitos e irradiaram incertezas. ficaram os barulhos soporíferos os anseios em semitons e as tristezas em festivas danças. o percurso que se avizinha árido, desnudo, solitário despido deContinuar lendo “Porvir”
Cheia
atravessar cursos d’água amordaçar serpentes mergulhar profundezas emergir do desespero procurar, na escuridão, o sopro o som, a voz, a flecha que encerra histórias e sangra arrependimentos.
O fim, enfim
A noite havia sido de merecido descanso. O dia amanheceu leve, claro e belo. O sol anunciava calor pelo correr das horas e os vizinhos iniciavam animadas conversas nos arredores. Mesmo assim, ele acordou com uma horrível expressão no rosto. Mal humorado e sombrio, começou a desfiar um rosário de reclamações. Cheio de argumentos, encontrouContinuar lendo “O fim, enfim”