Sinto as palavras gestadas em teus olhos E os meus ouvidos clamam por tua pele Teu perfume é o alinhavo dos meus sonhos A me conduzir por paisagens úmidas Onde escrevemos histórias a quatro mãos.
Arquivos do autor:Ana Bittencourt
Mudez
Não ligarei Falarei Ou escreverei Os dias se fizeram mudos E foi neles que encontramos Nossas mais verdadeiras respostas.
Por hoje
Eterno
há palavras mortas em teus poemas que escondem espaços enluarados há uma brisa morna que sai de teus lábios e trai ideias amaldiçoadas o céu da tua boca é poeira de estrelas brilhando para sempre em minhas noites escuras.
Bárbaro
Correr da armadilha Embrenhar-me mata adentro Desfazer-me de adereços Desnudar-me Te insistir, perseguir Seduzir, me entregar Novamente te ter Eu e você – selvagens Longe, muito longe De convenções E arapucas.
Ilusão
o sonho invade (necessidade?) desassossega converte prosa em versos faz crer na poesia entorna a sensatez de uma vida leve.
Enlace
Arrepia-me a pele Sussurra desejos Morde meus lábios Faz de mim sua Tira-me de mim Para me encontrar Em você.
Balé
Me tira para dançar Ao menos uma vez Suspende os meus pés Sobre os teus Enlaça a minha mão E os meus quadris E me põe a girar Rodopiar Rir de tanto Voltear Quase cair Semi flutuar Cambalear E continuar Até quase Nos perdermos Em nós.
Lockdown
Quarentena Em casa Peguei um amor Incurável.
Tardio
a dor que me rasga como a de um parto expõe as víceras o caos íntimo as catacreses e os hiatos. depois de tanto tempo ainda me falta nascer.