ditos e feitos enterram o passado em definitivo e não nos resta dedicar-lhe nem mesmo flores.
Arquivos do autor:Ana Bittencourt
Poesia
Se nada no salva da morte, que a arte nos salve da vida. (Neruda)
Quadrilha
se nos encontrarmos, haverá desejo? se nos desejarmos, haverá cama? se nos deitarmos, haverá gozo? se gozarmos, haverá risos? se rirmos, haverá sonhos? se sonharmos, haverá risos? se rirmos, haverá gozo? se gozarmos, haverá cama? se deitarmos, haverá desejo? se desejarmos, haverá encontros? se nos encontrarmos… haverá fim?
Nosso
no teu palato palavras possibilidades paladares perdições no meu colo calafrios calores convites crepúsculos.
A quatro mãos
Sinto as palavras gestadas em teus olhos E os meus ouvidos clamam por tua pele Teu perfume é o alinhavo dos meus sonhos A me conduzir por paisagens úmidas Onde escrevemos histórias a quatro mãos.
Mudez
Não ligarei Falarei Ou escreverei Os dias se fizeram mudos E foi neles que encontramos Nossas mais verdadeiras respostas.
Por hoje
Eterno
há palavras mortas em teus poemas que escondem espaços enluarados há uma brisa morna que sai de teus lábios e trai ideias amaldiçoadas o céu da tua boca é poeira de estrelas brilhando para sempre em minhas noites escuras.
Bárbaro
Correr da armadilha Embrenhar-me mata adentro Desfazer-me de adereços Desnudar-me Te insistir, perseguir Seduzir, me entregar Novamente te ter Eu e você – selvagens Longe, muito longe De convenções E arapucas.
Ilusão
o sonho invade (necessidade?) desassossega converte prosa em versos faz crer na poesia entorna a sensatez de uma vida leve.