Sublimemos, amor. Assim as flores No jardim não morreram se o perfume No cristal da essência se defende. Passemos nós as provas, os ardores: Não caldeiam instintos sem o lume Nem o secreto aroma que rescende. José Saramago, in “Os Poemas Possíveis”.
Arquivos do autor:Ana Bittencourt
Desamor
desapaixona-se por obra de excessos. de faltas. de impasses. de cachaça. de perfídia amorosa. de traições dos planos a dois. de assombros. de percepções. de rompantes. de cansaços. por causa da doença do outro. pela própria sanidade. pelo enterro das fantasias. pelo amanhecer da realidade. pelo presente ingrato. pelo passado roto. pela percepção da estupidez.Continuar lendo “Desamor”
Sentimental
o ruído se avolumou na medida em que o tempo afastou certezas. por vezes, ideias descabidas contribuíram para a perpetuação dos incômodos. as palavras insistiram em verdades parciais e efeitos transitórios. o sentimentalismo não é outra coisa que a estupidez do sentimento.
Premissa
o fio da lâmina da espada as palavras cortantes a mente consumida em narrativas a verdade crua e indescente nos gestos nos versos na alma.
Veredas
há muito dito nos pequenos vãos dessa história nas muitas quebras onde acaba por entrar a luz mas eles não minimizam as dores, tampouco mudam os fatos e as dúvidas arrefecem qualquer condição de normalidade busco respostas e caminhos sem aflição e sem medo e não me incomodam mais os pesares alheios exteriores que sãoContinuar lendo “Veredas”
Beijo
Nesta semana comemorou-se o dia mundial do beijo. Dos beijos carinhosos e fraternos aos beijos apaixonados, que transbordam amor. Beijo, beso, bisou, bacio, kiss… beijar é bom em todas as línguas! (e danem-se as más línguas).
Com você
pele com pele boca com boca pele na boca nossas línguas encaixe suor gemidos corpos em transe estar com você é foda.
Diálogo
há poucas (e pequenas) palavras que respondem a dúvidas que (não) temos (mas nem sempre sabemos) ou simplesmente falam do que precisamos ouvir (embora já soubéssemos) e que compõem um diálogo de feições (bastante) estranhas.
Falta
Saudades é uma faca Enterrada no peito Girando 10 graus por dia Sangrando um mar de sal.
Ego
já não sou quem era tampouco tornei-me ainda quem devo ser.