Que as palavras amanheçam Tornadas versos sibilados por desejos Verdadeiros, intensos. Que as cicatrizes Possam se curar Resguardadas por belas tatuagens. Que nossos crimes Possam ser perdoados Pequenos que somos em nossa humanidade.
Arquivos do autor:Ana Bittencourt
Ano Novo
Dentro de mim algo explodiu. Intenso e frio como vidro que estilhaça atingido por uma pedra. Ruíram certezas, laços, promessas. Sobrou o dia surdo e suspenso depois do caos. Restou a promessa – a lâmina das decisões – de buscar a minha verdade, de admitir meus desacertos, de abrir mão do que não cabe. IntensamenteContinuar lendo “Ano Novo”
17 anos
Hoje ele faz 17. O tempo entre o sonho, a barriga que se avolumou e ele tão dono de si, parece o mesmo de um suspirar. Ele trouxe cores, cheiros e sons novos para minha vida. Virou o que eu pensava saber do avesso, quebrou minha rotina e meus horários, acordou-me por muito tempo antesContinuar lendo “17 anos”
Sentença
a lâmina fria das decisões faz brotar o sangue que goteja memórias do que fomos. a dor que acompanha o fim atravessa o sono e mantém nossos olhos acesos na madrugada. a percepção das coisas da vida do tempo dos outros de tudo é letra fria impressa no papel da narrativa de quem somos eContinuar lendo “Sentença”
Lírica
Há tristeza pelos versos incompreendidos Pelo poema que, pela métrica Permaneceu sem rima. Há dor por querer suas palavras aceitas Esquecendo-se que a estética Não desobriga a busca de sentido. Há desejo de novas poesias Caóticas, intensas e complexas Que seduzem pela verdade das ideias Fieis que são a todo sentimento.
Crisálida
anseio receio entremeio metamorfoseio
Conto de fadas, de Florbela Espanca
Eu trago-te nas mãos o esquecimento Das horas más que tens vivido, Amor! E para as tuas chagas o unguento Com que sarei a minha própria dor. Os meus gestos são ondas de Sorrento… Trago no nome as letras de uma flor… Foi dos meus olhos garços que um pintor Tirou a luz para pintarContinuar lendo “Conto de fadas, de Florbela Espanca”
Contos
eu te inventeivocê me inventouco-criadores distantes de diferentes narrativas irreais ao longo do enredo,fugi tresloucada em um cavaloao ver meu castelo construído na areiaenquanto você violava seus escritos sagradosao contar histórias de outras princesaseu te criei encantadovocê me criou perfeitae na coleção das histórias verdadeiras que somossobressaíram nossas ilusões desfeitaseu te inventeivocê me inventoue éContinuar lendo “Contos”
Lua cheia
nova lua cheia de impermanênciasinfinita em ciclos sempre inauguraisa abrilhantar todas as significâncias da vida.sua luz me enseja a resgatar memórias do que sempre fui,a preservar as lembranças dos sentidos,a proteger histórias construídas,a desejar permanências, castelos tangíveis,príncipes verdadeiros,palavras honestas,promessas fiéis,histórias críveis, enredos verossímeisfinais felizes, enfim.faz-meinteira apenas e tão somente por ser única.
Quase primavera
O sol voltou a brilhar quente naquela quase primavera. As estações pareciam enlouquecer, assim como o mundo. Uma semana antes havia feito muito frio e chuva. Agora, o calor voltou a ser um convite ao sol, aos passeios, à vida lá fora. As sardas denunciavam o aceite a essas jornadas. Viver não parecia mais tãoContinuar lendo “Quase primavera”