Porvir

fez-se um silêncio turvo depois da desordem,

e o ar sólido embaçou os pensamentos.

atrás da vidraça,

desvio de tempo imensurável

onde se dependuraram assombros

se apagaram propósitos

e irradiaram incertezas.

ficaram os barulhos soporíferos

os anseios em semitons

e as tristezas em festivas danças.

o percurso que se avizinha

árido, desnudo, solitário

despido de gentes partidas

segue encoberto em íntimos segredos.

Tito Merello, Galeria de Arte de Barcelona.

Publicado por Ana Bittencourt

escrever para remendar a infância a loucura escrever para estranhar o pai a mãe semelhanças escrever para cerzir terra corpo paisagem escrever carne viva (Tatiana Pequeno)

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