Desamor

desapaixona-se por obra de excessos. de faltas. de impasses. de cachaça. de perfídia amorosa. de traições dos planos a dois. de assombros. de percepções. de rompantes. de cansaços. por causa da doença do outro. pela própria sanidade. pelo enterro das fantasias. pelo amanhecer da realidade. pelo presente ingrato. pelo passado roto. pela percepção da estupidez. pela desconfiança das intenções. dos desejos. pela gênese da maturidade. pelo bem-me-quer. pelo já-não-quero. pela liberdade. pelo amor à verdade.

Óleo de Pablo Picasso, 1931.

Sentimental

o ruído se avolumou na medida em que o tempo afastou certezas. por vezes, ideias descabidas contribuíram para a perpetuação dos incômodos. as palavras insistiram em verdades parciais e efeitos transitórios. o sentimentalismo não é outra coisa que a estupidez do sentimento.

Larry Cowell, untitled, 1950.

Veredas

há muito dito nos pequenos vãos dessa história

nas muitas quebras onde acaba por entrar a luz

mas eles não minimizam as dores, tampouco mudam os fatos

e as dúvidas arrefecem qualquer condição de normalidade

busco respostas e caminhos sem aflição e sem medo

e não me incomodam mais os pesares alheios

exteriores que são aos meus desejos e a minha irrepreensível humanidade.

Obra de Arkhip Kuindzhi, 1875.

Beijo

Nesta semana comemorou-se o dia mundial do beijo.

Dos beijos carinhosos

e fraternos

aos beijos apaixonados,

que transbordam amor.

Beijo, beso, bisou, bacio, kiss…

beijar é bom em todas as línguas!

(e danem-se as más línguas).

The kiss, Edvard Munch, 1897.