o fio da lâmina da espada
as palavras cortantes
a mente consumida em narrativas
a verdade crua e indescente
nos gestos
nos versos
na alma.

Escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra.
o fio da lâmina da espada
as palavras cortantes
a mente consumida em narrativas
a verdade crua e indescente
nos gestos
nos versos
na alma.

há muito dito nos pequenos vãos dessa história
nas muitas quebras onde acaba por entrar a luz
mas eles não minimizam as dores, tampouco mudam os fatos
e as dúvidas arrefecem qualquer condição de normalidade
busco respostas e caminhos sem aflição e sem medo
e não me incomodam mais os pesares alheios
exteriores que são aos meus desejos e a minha irrepreensível humanidade.

Nesta semana comemorou-se o dia mundial do beijo.
Dos beijos carinhosos
e fraternos
aos beijos apaixonados,
que transbordam amor.
Beijo, beso, bisou, bacio, kiss…
beijar é bom em todas as línguas!
(e danem-se as más línguas).

pele com pele
boca com boca
pele na boca
nossas línguas
encaixe
suor
gemidos
corpos em transe
estar com você é foda.

há poucas (e pequenas) palavras
que respondem a dúvidas que (não) temos
(mas nem sempre sabemos)
ou simplesmente falam do que precisamos ouvir
(embora já soubéssemos)
e que compõem um diálogo
de feições (bastante) estranhas.

Saudades é uma faca
Enterrada no peito
Girando 10 graus por dia
Sangrando um mar de sal.

já não sou quem era
tampouco
tornei-me ainda
quem devo ser.

ditos
e feitos
enterram
o passado
em definitivo
e não nos resta
dedicar-lhe
nem mesmo
flores.

Se nada no salva da morte, que a arte nos salve da vida. (Neruda)
se nos encontrarmos, haverá desejo?
se nos desejarmos, haverá cama?
se nos deitarmos, haverá gozo?
se gozarmos, haverá risos?
se rirmos, haverá sonhos?
se sonharmos, haverá risos?
se rirmos, haverá gozo?
se gozarmos, haverá cama?
se deitarmos, haverá desejo?
se desejarmos, haverá encontros?
se nos encontrarmos… haverá fim?

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