Veredas

há muito dito nos pequenos vãos dessa história

nas muitas quebras onde acaba por entrar a luz

mas eles não minimizam as dores, tampouco mudam os fatos

e as dúvidas arrefecem qualquer condição de normalidade

busco respostas e caminhos sem aflição e sem medo

e não me incomodam mais os pesares alheios

exteriores que são aos meus desejos e a minha irrepreensível humanidade.

Obra de Arkhip Kuindzhi, 1875.

Beijo

Nesta semana comemorou-se o dia mundial do beijo.

Dos beijos carinhosos

e fraternos

aos beijos apaixonados,

que transbordam amor.

Beijo, beso, bisou, bacio, kiss…

beijar é bom em todas as línguas!

(e danem-se as más línguas).

The kiss, Edvard Munch, 1897.

Quadrilha

se nos encontrarmos, haverá desejo?

se nos desejarmos, haverá cama?

se nos deitarmos, haverá gozo?

se gozarmos, haverá risos?

se rirmos, haverá sonhos?

se sonharmos, haverá risos?

se rirmos, haverá gozo?

se gozarmos, haverá cama?

se deitarmos, haverá desejo?

se desejarmos, haverá encontros?

se nos encontrarmos… haverá fim?

The fisherman and the syren, 1856, Frederic Leighton.