Quadrilha

se nos encontrarmos, haverá desejo?

se nos desejarmos, haverá cama?

se nos deitarmos, haverá gozo?

se gozarmos, haverá risos?

se rirmos, haverá sonhos?

se sonharmos, haverá risos?

se rirmos, haverá gozo?

se gozarmos, haverá cama?

se deitarmos, haverá desejo?

se desejarmos, haverá encontros?

se nos encontrarmos… haverá fim?

The fisherman and the syren, 1856, Frederic Leighton.

Eterno

há palavras mortas

em teus poemas

que escondem espaços enluarados

há uma brisa morna

que sai de teus lábios

e trai ideias amaldiçoadas

o céu da tua boca

é poeira de estrelas

brilhando para sempre

em minhas noites escuras.

Noite estrelada sobre o Ródano, Van Gogh, 1888.

Bárbaro

Correr da armadilha

Embrenhar-me mata adentro

Desfazer-me de adereços

Desnudar-me

Te insistir, perseguir

Seduzir, me entregar

Novamente te ter

Eu e você – selvagens

Longe, muito longe

De convenções

E arapucas.

O bosque dourado, Gustav Klimt, 1903.