ditos
e feitos
enterram
o passado
em definitivo
e não nos resta
dedicar-lhe
nem mesmo
flores.

Escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra.
ditos
e feitos
enterram
o passado
em definitivo
e não nos resta
dedicar-lhe
nem mesmo
flores.

Se nada no salva da morte, que a arte nos salve da vida. (Neruda)
se nos encontrarmos, haverá desejo?
se nos desejarmos, haverá cama?
se nos deitarmos, haverá gozo?
se gozarmos, haverá risos?
se rirmos, haverá sonhos?
se sonharmos, haverá risos?
se rirmos, haverá gozo?
se gozarmos, haverá cama?
se deitarmos, haverá desejo?
se desejarmos, haverá encontros?
se nos encontrarmos… haverá fim?

no teu
palato
palavras
possibilidades
paladares
perdições
no meu
colo
calafrios
calores
convites
crepúsculos.

Sinto as palavras gestadas em teus olhos
E os meus ouvidos clamam por tua pele
Teu perfume é o alinhavo dos meus sonhos
A me conduzir por paisagens úmidas
Onde escrevemos histórias a quatro mãos.

Não ligarei
Falarei
Ou escreverei
Os dias se fizeram mudos
E foi neles que encontramos
Nossas mais verdadeiras respostas.


há palavras mortas
em teus poemas
que escondem espaços enluarados
há uma brisa morna
que sai de teus lábios
e trai ideias amaldiçoadas
o céu da tua boca
é poeira de estrelas
brilhando para sempre
em minhas noites escuras.

Correr da armadilha
Embrenhar-me mata adentro
Desfazer-me de adereços
Desnudar-me
Te insistir, perseguir
Seduzir, me entregar
Novamente te ter
Eu e você – selvagens
Longe, muito longe
De convenções
E arapucas.

o sonho invade
(necessidade?)
desassossega
converte prosa
em versos
faz crer na poesia
entorna a sensatez
de uma vida leve.
