Eterno

há palavras mortas

em teus poemas

que escondem espaços enluarados

há uma brisa morna

que sai de teus lábios

e trai ideias amaldiçoadas

o céu da tua boca

é poeira de estrelas

brilhando para sempre

em minhas noites escuras.

Noite estrelada sobre o Ródano, Van Gogh, 1888.

Bárbaro

Correr da armadilha

Embrenhar-me mata adentro

Desfazer-me de adereços

Desnudar-me

Te insistir, perseguir

Seduzir, me entregar

Novamente te ter

Eu e você – selvagens

Longe, muito longe

De convenções

E arapucas.

O bosque dourado, Gustav Klimt, 1903.

Balé

Me tira para dançar

Ao menos uma vez

Suspende os meus pés

Sobre os teus

Enlaça a minha mão

E os meus quadris

E me põe a girar

Rodopiar

Rir de tanto

Voltear

Quase cair

Semi flutuar

Cambalear

E continuar

Até quase

Nos perdermos

Em nós.

Sera Knight, Dance with Passion.