Arrepia-me a pele
Sussurra desejos
Morde meus lábios
Faz de mim sua
Tira-me de mim
Para me encontrar
Em você.

Escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra.
Arrepia-me a pele
Sussurra desejos
Morde meus lábios
Faz de mim sua
Tira-me de mim
Para me encontrar
Em você.

Me tira para dançar
Ao menos uma vez
Suspende os meus pés
Sobre os teus
Enlaça a minha mão
E os meus quadris
E me põe a girar
Rodopiar
Rir de tanto
Voltear
Quase cair
Semi flutuar
Cambalear
E continuar
Até quase
Nos perdermos
Em nós.

Quarentena
Em casa
Peguei um amor
Incurável.

a dor que me rasga
como a de um parto
expõe as víceras
o caos íntimo
as catacreses
e os hiatos.
depois de tanto tempo
ainda me falta nascer.

penso em escrever um poema
e é você quem me atravessa
os pensamentos
transborda em meus olhos
meu corpo, meu colo
engolfa-me a razão
faz da fantasia
desejo, carência
que só se explica
pela necessidade
de viver a poesia.

Não me interessam metáforas,
Hipérboles e metonímias
Sinestesias ou pleonasmos.
Não me importo com sonetos,
Baladas ou sextinas
Rondeis ou haicais.
…
Silencio e o sentido se faz.
Emudeço e encontro respostas.

a janela
do beco sem saída
entreabriu-se
dispus
do instante
para livrar-me
das correntes
ilusórias
do passado.

Ó Deus, nós te damos graças por este universo, nosso lar: pela sua vastidão e riqueza, pela exuberância da vida que o enche e da qual somos parte.
Nós te louvamos pela abóbada celeste e pelos ventos, grávidos de bênçãos, pelas nuvens que navegam e pelas constelações lá no alto.
Nós te louvamos pelo oceano, pelas correntes frescas, pelas montanhas que não se acabam, pelas árvores, pelo capim sob nossos pés.
Nós te louvamos por nossos sentidos: poder ver o esplendor da manhã, ouvir as canções dos namorados, sentir o hálito bom das flores da primavera. Dá-nos, rogamos-te, um coração aberto a toda essa alegria e a toda essa beleza, e livra nossas almas da cegueira que vem da preocupação com as coisas da vida e das sombras das paixões, a ponto de passar sem ver e sem ouvir até mesmo quando a sarça, ao lado do caminho, se incendeia com a glória de Deus.
Alarga em nós o senso de comunhão com todas as coisas vivas, nossas irmãs, a quem deste esta terra por lar juntamente conosco. Lembramo-nos, com vergonha, de que no passado aproveitamos do nosso maior domínio e dele fizemos uso com crueldade sem limites, tanto assim que a voz da terra, que deveria ter subido a ti numa canção, tornou-se um gemido de dor. Que aprendamos que as coisas vivas não vivem só para nós; que elas vivem para si mesmas e para ti, que elas amam a doçura da vida tanto quanto nós e te servem, no seu lugar, melhor do que nós no nosso.
Quando chegar nosso fim e não mais pudermos fazer uso deste mundo, e tivermos que dar nosso lugar a outros, que não deixemos coisa alguma destruída pela nossa ambição ou deformada pela nossa ignorância. Mas que passemos adiante nossa herança comum mais bela e mais doce, sem que lhe tenha sido tirado nada da sua fertilidade e alegria, e assim, nossos corpos possam retornar em paz para o ventre da grande mãe que os nutriu e os nossos espíritos possam gozar da vida perfeita em ti.
Amém!
Orações por um mundo melhor, Walter Rauschenbusch.

a vida renascia
em mim
em senso
silêncio
e verso.

tive noites de amor
que eram manhãs
ou tardes
e esses pequenos
milagres seus
seguiam inequívocos.
