Sinto as palavras gestadas em teus olhos
E os meus ouvidos clamam por tua pele
Teu perfume é o alinhavo dos meus sonhos
A me conduzir por paisagens úmidas
Onde escrevemos histórias a quatro mãos.

Escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra.
Sinto as palavras gestadas em teus olhos
E os meus ouvidos clamam por tua pele
Teu perfume é o alinhavo dos meus sonhos
A me conduzir por paisagens úmidas
Onde escrevemos histórias a quatro mãos.

Não ligarei
Falarei
Ou escreverei
Os dias se fizeram mudos
E foi neles que encontramos
Nossas mais verdadeiras respostas.


há palavras mortas
em teus poemas
que escondem espaços enluarados
há uma brisa morna
que sai de teus lábios
e trai ideias amaldiçoadas
o céu da tua boca
é poeira de estrelas
brilhando para sempre
em minhas noites escuras.

Correr da armadilha
Embrenhar-me mata adentro
Desfazer-me de adereços
Desnudar-me
Te insistir, perseguir
Seduzir, me entregar
Novamente te ter
Eu e você – selvagens
Longe, muito longe
De convenções
E arapucas.

o sonho invade
(necessidade?)
desassossega
converte prosa
em versos
faz crer na poesia
entorna a sensatez
de uma vida leve.

Arrepia-me a pele
Sussurra desejos
Morde meus lábios
Faz de mim sua
Tira-me de mim
Para me encontrar
Em você.

Me tira para dançar
Ao menos uma vez
Suspende os meus pés
Sobre os teus
Enlaça a minha mão
E os meus quadris
E me põe a girar
Rodopiar
Rir de tanto
Voltear
Quase cair
Semi flutuar
Cambalear
E continuar
Até quase
Nos perdermos
Em nós.

Quarentena
Em casa
Peguei um amor
Incurável.

a dor que me rasga
como a de um parto
expõe as víceras
o caos íntimo
as catacreses
e os hiatos.
depois de tanto tempo
ainda me falta nascer.
