(sobre um menino que não aceitava brincar na areia) Permitir-se. O gesto ancestral do menino, mãos na terra, permite uma conexão que abre portas, quebra barreiras, restaura a experiência. Abrir-se. O binômio fantástico, tal como em Rodari, mãos-areia abre possibilidades, do sentir da textura ao ver-se sujo de infância. Entregar-se. O movimento tímido das mãosContinuar lendo “Mãos que abrem portas”
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Julho
Manhã de inverno Sozinha em casa Uma xícara de café No exercício Do meu direito Inalienável De não mais pensar Em você.
Réquiem
“Nenhum problema é insolúvel, nenhuma resposta é derradeira” (Galimberti) os sentimentos que brotaram entre os vãos (que mantive abertos) se dissipam quando os deixo escorrer por entre os medos (que não mais tenho).
Perda
quando a zombaria nervosa e debochada da sandice substitui o antes riso largo e espontâneo da amabilidade é porque a curva já se fez fechada e os olhos só descansarão se bem abertos.
Calor
sinto tanto medo dos fantasmas que povoam meus sonhos e das sombras que se escondem pelo perímetro que acordo antes do raiar dia e adormeço ainda com sol. a vida parece não cansar de cobrar em dobro faturas quitadas excessos incorridos planejamentos mal feitos projetos mal sucedidos. o inverno recomeça antes que eu tenha vividoContinuar lendo “Calor”
Sorte
é mito ou é fato achar que dá sorte uma borboleta na cortina do quarto?
Alheios
há becos escuros em minha garganta palavras não ditas que se transformam em anseios sombrios, vigília e assombrações. o passado a desamparar o presente o presente a desconfiar do futuro o futuro a sepultar idealizações. o inferno, talvez, sejam mesmo os outros.
Verbo
palavras são missas sem corpo presente a perscrutar nossa alma em busca de emoções que façam (qualquer) sentido .
Fogo
nossa história foi intensa chama e é por isso que vez ou outra ainda ardo
Quereres
você sempre falou as palavras que quis da forma que quis é por isso que meus silêncios já não mais te querem