Todas as vezes Que te vejo olhar para as coisas E construir explicações sobre as histórias Leio interpretações inautênticas Ideias desordenadas Frases escalafobéticas. Posso afirmar sem medo Que para quem aparenta entender de tudo Você não entendeu nada.
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Infância
Sono coloquial
Da velhiceSempre invejeio adormecerno meio da conversa.Esse descer de pálpebranão é nemidade nem cansaço.Fazer da palavra um embaloé o mais puro e apuradosenso da poesia. Mia Couto
Desacontecimento
Há coisas que têm existência apenas em nossa mente Nas pueris invencionices que nossa criança interior arquiteta Sem o filtro da realidade que nos detém e assegura Sem os laços verdadeiros que nos pertencem Longe da vida mesma apenas a morte as espera E quando findas, estremecemos pela infância que habita nossa sensatez Pelos impulsosContinuar lendo “Desacontecimento”
Luzes do dia
As narrativas sobre os fatos atravessam a realidade São muitas falas e ruídos que (quase) determinam nosso modo de olhar a vida Há tantos barulhos, buzinas, gritos de ordem Notícias, televisão, rádio, análises Certezas, discussões, ânimos exaltados, excesso de fala Que até os nossos silêncios tornam-se ruidosos A nossa voz se apaga, tão rouca queContinuar lendo “Luzes do dia”
Travessia
Temos nossos momentos. Estranhos e complicados que somos, por vezes estamos bem e, de repente, ficamos mal. Em seguida, voltamos a ficar bem porque a resiliência é o motor da vida. Por vezes, penso que viver é seguir equilibrado em uma longa corda. Alguns dias, o esforço é tamanho para realizarmos determinadas travessias que cansamosContinuar lendo “Travessia”
Confissão
Uma amiga minha perdeu o padrasto para Covid há alguns dias. Antes da perda, ainda na angústia da internação, escreveu um lindo texto de sua trajetória junto a esse “pai postiço”. No seu escrito, confessa seu ódio inicial por esse homem, o ciúme que sentiu de sua mãe com ele e o percurso de emoçõesContinuar lendo “Confissão”
Perhaps love
Canção de John Denver em dueto vocal com Placido Domingo. Uma das mais belas músicas que conheço. Perhaps love is like a resting placeA shelter from the stormIt exists to give you comfortIt is there to keep you warmAnd in those times of troubleWhen you are most aloneThe memory of love will bring you homeContinuar lendo “Perhaps love”
Agosto
Lembro-me bem. Foi quando julho se foi, que um vento mais gelado, mais destemperado, que arrastava ainda folhas deixadas pelo outono, me disse algumas verdades. Convenceu-me de que o céu começaria a apresentar metamorfoses avermelhadas. Que a poeira levantada por ele daria lições de que as coisas nem sempre ficam no mesmo lugar e queContinuar lendo “Agosto”
Olhos
Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. José Saramago