Tenho medo de emergir em mim mesma De não achar o fio da trama dos sentimentos absurdos Tenho medo de encontrar os fios E descobrir enredos internos obtusos. Tenho medo de acreditar na sorte De confiar em caminhos cheios de sonhos Tenho medo da falta de sorte Do inesperado, do desespero, da ausência de controle.Continuar lendo “Inventário de medos”
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Aceita-me como sou
ouvidos que enlaçam palavras que serenam o amor não precisa ser cruel
Porvir
fez-se um silêncio turvo depois da desordem, e o ar sólido embaçou os pensamentos. atrás da vidraça, desvio de tempo imensurável onde se dependuraram assombros se apagaram propósitos e irradiaram incertezas. ficaram os barulhos soporíferos os anseios em semitons e as tristezas em festivas danças. o percurso que se avizinha árido, desnudo, solitário despido deContinuar lendo “Porvir”
Cheia
atravessar cursos d’água amordaçar serpentes mergulhar profundezas emergir do desespero procurar, na escuridão, o sopro o som, a voz, a flecha que encerra histórias e sangra arrependimentos.
O fim, enfim
A noite havia sido de merecido descanso. O dia amanheceu leve, claro e belo. O sol anunciava calor pelo correr das horas e os vizinhos iniciavam animadas conversas nos arredores. Mesmo assim, ele acordou com uma horrível expressão no rosto. Mal humorado e sombrio, começou a desfiar um rosário de reclamações. Cheio de argumentos, encontrouContinuar lendo “O fim, enfim”
Sem litígio
Que as palavras amanheçam Tornadas versos sibilados por desejos Verdadeiros, intensos. Que as cicatrizes Possam se curar Resguardadas por belas tatuagens. Que nossos crimes Possam ser perdoados Pequenos que somos em nossa humanidade.
Ano Novo
Dentro de mim algo explodiu. Intenso e frio como vidro que estilhaça atingido por uma pedra. Ruíram certezas, laços, promessas. Sobrou o dia surdo e suspenso depois do caos. Restou a promessa – a lâmina das decisões – de buscar a minha verdade, de admitir meus desacertos, de abrir mão do que não cabe. IntensamenteContinuar lendo “Ano Novo”
17 anos
Hoje ele faz 17. O tempo entre o sonho, a barriga que se avolumou e ele tão dono de si, parece o mesmo de um suspirar. Ele trouxe cores, cheiros e sons novos para minha vida. Virou o que eu pensava saber do avesso, quebrou minha rotina e meus horários, acordou-me por muito tempo antesContinuar lendo “17 anos”
Sentença
a lâmina fria das decisões faz brotar o sangue que goteja memórias do que fomos. a dor que acompanha o fim atravessa o sono e mantém nossos olhos acesos na madrugada. a percepção das coisas da vida do tempo dos outros de tudo é letra fria impressa no papel da narrativa de quem somos eContinuar lendo “Sentença”
Lírica
Há tristeza pelos versos incompreendidos Pelo poema que, pela métrica Permaneceu sem rima. Há dor por querer suas palavras aceitas Esquecendo-se que a estética Não desobriga a busca de sentido. Há desejo de novas poesias Caóticas, intensas e complexas Que seduzem pela verdade das ideias Fieis que são a todo sentimento.