Alheios

há becos escuros em minha garganta palavras não ditas que se transformam em anseios sombrios, vigília e assombrações. o passado a desamparar o presente o presente a desconfiar do futuro o futuro a sepultar idealizações. o inferno, talvez, sejam mesmo os outros.

De hoje

Se te pareço ausente, não creias:hora a hora minha dor agarra-se aos teus braços,hora a hora meu desejo revolve teus escombros,e escorrem dos meus olhos mais promessas.Não acredites nesse breve sono;não dês valor maior ao meu silêncio;e se leres recados numa folha branca,Não creias também: é preciso encostarteus lábios nos meus lábios para ouvir. NemContinuar lendo “De hoje”

Inferno

Na mulher nefasta que habita suas fantasias e enredos esboçados, mora uma criança tola, assustada e ávida por algum apreço. Nas linhas tortuosas de suas histórias amargas e das palavras de onde irrompe fel, mora o deleite de quem esqueceu o gozo. Nos fatos arranjados das tramas nas quais a culpa é sempre alheia, habitaContinuar lendo “Inferno”

Parecer

Todas as vezes Que te vejo olhar para as coisas E construir explicações sobre as histórias Leio interpretações inautênticas Ideias desordenadas Frases escalafobéticas. Posso afirmar sem medo Que para quem aparenta entender de tudo Você não entendeu nada.