a chegada do outono parece nos perdoar de nossos erros até mesmo daqueles que cometemos sem querer.
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Ondeante
foi tempo a descobrir que o compasso da música é dado de dentro que dançar é mesmo o movimento da vida esse bailado sem pausas em ritmos diversos escolhidos no vai e vem dos ruídos e dos silêncios das pessoas e dos gestos das histórias e dos anseios.
Metade
não me agradam antigas versões minhas estranhas escolhas, outros pensamentos a vida se aproxima da metade de um século e me pego em fase revisional – entristeço-me pelos erros, pelas histórias sedentas de paz, pelas saudades dos que foram, pelos que nunca deveriam ter vindo, pelos lapsos de reflexão, pelas prioridades invertidas, pelas certezas desleixadasContinuar lendo “Metade”
Feliz Natal
Chronos
O tempo voa disse-me o pássaro ao pousar. Vi, em seus olhos, que ele entendia de tempo (e de voo) melhor do que eu.
Kafkiano
travada na porta giratória penso – com quantos aneis se planeja um delito?
Censo
entrevistador parece esquecer de perguntar sobre as questões mais fundamentais: 1. são muitas as suas dores? 2. com quem você pode contar?
Ainda assim
querer e querer esquecer do caos do mundo e de cada um das pequenas tragédias pessoais e públicas da nossa humanidade frágil e altiva desta vida estranha e imprevisível.
Rota
quis encontrar uma estrela em teus olhos dançar, inda menina, nos teus palcos ser-te atriz principal de meus melhores papeis enquanto rompia as correntes de um vazio sem nome e buscava alguma crença em qualquer merecimento. esqueci-me menina nas minhas fantasias inseguras nos desejos que busquei atrás das portas ou entre as frestas nas janelasContinuar lendo “Rota”
Axioma
quando te conheci me perdi enlouqueci me consumi. isto pode parecer lindo romântico poético mas a verdade dura nua crua é que isso é o fim