o que estou pensando quando me furto de ver obviedades quando me convenço de que há uma saída quando finjo que pode ser possível? onde estou quando não estou pensando?
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Ausência
a vida entrecortada por tua ausência a espera quase sem trégua pelas tuas aparições deserto sem nome noite sem lua sede sem solução nada é mais cortante que a tua falta.
Decisões
Monocórdicas Foram as tardes Que sucederam Aquela sentença Entrecortadas apenas Pelo som do vento A nos afastar do destino.
Proposta
deita comigo para desvendar meu sono entrelaça suas pernas nas minhas enquanto enlaçamos nosso gozo acende mais meu desejo (se for possível) me chama a sonhar a vida enquanto descanso em seu corpo
Invídia
curativos não escondem machucados tatuados a lâmina, globulares carimbos de cigarro muitas marcas aparentes que (sem desejar, sem avisar) jogam meus olhos para as peles lisas para os sonhos realizados para aqueles a quem a vida parece ser indolor.
Princípio
sinto-me rendida ao seu sorriso entregue, desnuda, ganha sorriso-convite aos teus encantos teus mistérios, teu universo a me encantar, me abandonar, me vencer a viver e morrer na sua boca.
Febre
há tempestades incontidas em meu peito que entrelaçam chuvas de amor e desassossego cujos trovões me despertam na madrugada, sem rumo ou me mantem em vigília enquanto durmo precipito, por vezes, cega e doente que me sinto não sei se pela falta de fé ou desejo de futuro mas o descanso me escorre pelas noitesContinuar lendo “Febre”
Introspectar
Acordei pensando no quão injusto é que só possamos experienciar a vida a partir do nosso corpo. Uma vida todinha a partir do mesmo corpo, que sequer é o mesmo a vida toda. E quão injusto é com o mundo que cada habitante só saiba de si. Os passarinhos cantam lá fora e não seiContinuar lendo “Introspectar”
Cidade Terminal
a cidade se mostra com seus muros altos e cinzas de onde florescem concertinas, alarmes e cercas as ruas semi cheias de grandes carros inurbanos a compensar as pequenas mentes dos proprietários o seco calor que inflama as ideias e os afetos com grandes enxurradas de incômodos as rasas crenças em diminutas autoridades servis aContinuar lendo “Cidade Terminal”
Imprevisível
no caminho indeterminado da vida – poeira, cascalhos, atalhos e curvas- há imprevistos que nos desconcertam, nos fazem perder a marcha, ralar os joelhos, machucar as mãos. sentimo-nos cochos, vulgares, desprovidos da beleza que o balé dos movimentos provoca em quem o vê. nem sempre fecham-se as feridas, quase nunca esquecem-se os tombos, fatalmente permanecemContinuar lendo “Imprevisível”