vou passar por aí nesta semana para combinarmos de sair um pouco dos trilhos não que a vida já não esteja descarrilada mas preciso tomar uma soda italiana e lembrar das risadas que dividíamos quando imitávamos os mais velhos dando sermões por quase nada preciso pegar em suas mãos para guardar a certeza de queContinuar lendo “Guarida”
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Ângulo
aprendi a afastar o medo aprendi que acertar demora a vida, afinal, é o que acontece cá dentro mesmo que tudo desabe lá fora
Glacial
faz frio e a chuva escorre gotas de inverno sinto o corpo trêmulo tão gelado quanto a aurora busco outras pernas para enlaçar nas minhas num desesperado desejo por qualquer conforto aqueço-me no mormaço do corpo como quem bebe para afastar os maus espíritos os turbilhões e as crises como quem pede para dormir esquecerContinuar lendo “Glacial”
Experimentação
quando mergulhei naquele rio lodoso, eu estava de costas, nunca havia mergulhado em rio, tampouco de costas, não conhecia a profundidade, o terror escuro do fundo, as águas que pareceram me carregar para a morte, machuquei-me ao tocar o piso quando alcancei o pé e um tanto mais ao sair da água e carreguei asContinuar lendo “Experimentação”
Traço
_ Por que fazer algo que te deixa uma marca que é para sempre? – perguntou-me o senhor sentado à minha frente. Devolvi-lhe a pergunta com outra: _ Que marca não é para sempre?
Resistência
no átrio ou ventrículo (não sei) ficou alojada a bala de prata que tentou matar meus sonhos. não morri tampouco os planos. meu coração se sustenta em costuras de teimosia e persistência, em camadas de diligência e paixão.
Enfrente as feras
a ferocidade do viver ao subjugar o caos o inevitável e o (quase) incontornável ao enfrentar o descrédito na humanidade e o medo da iniquidade sobrevive aos nossos piores dias aos nossos piores medos aos caprichos da vida ao imprevisto das horas para nos amparar no ontem, no agora e (queira deus) pelos séculos (amém).
Desmonte
numa quase distopia análises nada sintéticas engendram argumentos falaciosos e marcam outros corpos e mentes com medos inconscientes e duras palavras terminantes a diáspora da fantasia perdida é sempre incontornável.
Meia-idade
Quando temos 18, fazer 50 anos nos parece tão distante… Lembro-me quando completei 39 e (privilégio dos 9), tive uma crise de meia-idade. No instante em que me dei conta de que aquele era o último ano com 30, senti, de súbito, o tempo passar em mim. Afinal, quando eu era criança e ouvia alguémContinuar lendo “Meia-idade”
Aleatórias
a maturidade apaga arrependimentos e aquieta o desejo de perfeição **** errei muito, várias vezes, errarei até o fim *** dançamos sob a lua e nossos risos ecoaram pela noite o sol não apaga a felicidade da madrugada ** não quero mágoas nem tantas lembranças tenho preferido vodka com gelo e limão * ando maisContinuar lendo “Aleatórias”