Febre

há tempestades incontidas em meu peito

que entrelaçam chuvas de amor e desassossego

cujos trovões me despertam na madrugada, sem rumo

ou me mantem em vigília enquanto durmo

precipito, por vezes, cega e doente que me sinto

não sei se pela falta de fé ou desejo de futuro

mas o descanso me escorre pelas noites

pelos barulhos dos raios e pelos meus murmúrios

te tenho em mim como um vício

as crises de abstinência de tua ausência

me viram do avesso, me atingem fundo

te querer é quase como uma febre, um desatino

e, ao mesmo tempo, descanso dos meus infortúnios

Marc Chagall, aquarela e guache, 1917.

Publicado por Ana Bittencourt

escrever para remendar a infância a loucura escrever para estranhar o pai a mãe semelhanças escrever para cerzir terra corpo paisagem escrever carne viva (Tatiana Pequeno)

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