há tempestades incontidas em meu peito
que entrelaçam chuvas de amor e desassossego
cujos trovões me despertam na madrugada, sem rumo
ou me mantem em vigília enquanto durmo
precipito, por vezes, cega e doente que me sinto
não sei se pela falta de fé ou desejo de futuro
mas o descanso me escorre pelas noites
pelos barulhos dos raios e pelos meus murmúrios
te tenho em mim como um vício
as crises de abstinência de tua ausência
me viram do avesso, me atingem fundo
te querer é quase como uma febre, um desatino
e, ao mesmo tempo, descanso dos meus infortúnios
