Máquina humana

Não me dou com números e códigos
Frios, calculados, exatos
Quase perfeitos.
Admira-me quem o faz…
Mas gosto mesmo das palavras, suas composições
Idéias, sentidos atribuídos
Gestos subentendidos
Desejos expressos e contidos.
Das máquinas… atrai-me a humana
Suas idiossincrasias, singularidades
Seus afetos, seus sentidos
Seus enganos, erros cometidos
Frustrações e imperfeições.
Não me dou com a exatidão.
Prefiro a possibilidade remota
A curva na estrada, a flutuação…

Bebidas

Quero beber a vida em taça de cristal
Com algumas frutas frescas
Muitas pedras de gelo
E adoçada com mel
Nos quentes dias de verão dos trópicos…
E quero continuar a bebê-la
Em uma grande caneca com alça lateral
Quente, espessa
Polvilhada de canela
E com um toque de cacau
Quando o inverno quiser gelar
Nosso espírito e nossos sonhos
E quando o cinza do céu se impuser sob o sol…

Passado

Nosso passado sempre nos condenará? Seremos sempre confundidos com nossos atos cometidos em pleno processo de aprendizado de viver? Espero que não… A flecha do tempo corre em uma única direção e o passado deve se converter no arco por meio do qual empunhamos tal flecha. Não temos como mudar o que já foi. É posto. Ao contrário, temos como tentar manter o alvo ao alcance dos olhos…