Feliz aniversário
Passaremos o dia do seu aniversário distantes. Todos nós! Você aí longe, eu aqui sozinha, as crianças na casa dos avós.
Estranho celebrar a vida (mais um dia, mais um ano!) desta forma. Estranho viver tudo o que estamos vivendo sem se desesperar às vezes. Na verdade, é estranho viver isso.
Tento dizer para mim mesma que passará logo. Que a experiência nos tornará diferentes e, assim, um pouco melhores e resilientes. Que sairemos fortalecidos de tudo. Que mais tarde olharemos para esse momento e sentiremos que ele pareceu mais breve do que realmente foi.
Tento conter meu receio pelo desconhecido, pelo incontrolável, pelo porvir. Acredito que ele – o medo – fica contido em meu peito e explode, por vezes, no meu estômago em dias de sensação de digestão interminável.
Mas não quero falar de receios no dia de hoje. Quero dizer apenas que, no dia de hoje, o meu desejo maior e mais profundo se refere ao que sinto por você e que se estende para nossa família – uma vida longa, plena de momentos felizes a ser vivida ao nosso lado.
Desejo, sobretudo, que essa experiência única que estamos vivendo se converta em sabedoria para nós e nossos filhos, sobre o valor do amor, a importância daqueles que amamos e dos momentos que partilhamos juntos.
Espero que o passar do tempo e dos anos possa lembrá-lo de viver atenta e apaixonadamente e a fazer escolhas que tornem seu presente e futuro dignos de serem rememorados. Lembre-se, também, de sentir-se grato pelos momentos vividos, aqueles felizes e aqueles que te ensinaram a ser quem você se tornou.
Se sentir-se frustrado e impotente diante das circunstâncias atuais, conte com a fé, muitas vezes esquecida, outras deixada de lado, subestimada. Que você possa olhar para dentro de si e encontrar o Poder do mistério da vida. Converse com ele: “Ouça-me… guia-me… ajuda-me”.
Não se sobrecarregue com soluções impossíveis. Não se culpe pela distância momentânea. Não se desespere frente ao tempo que ainda virá. Seja paciente e bondoso consigo mesmo.
Sinta-se, principalmente, amado e abraçado no dia de hoje. Sinta a distância se converter em inúmeros pensamentos bons e desejos sinceros por você. Sinta-se acolhido e próximo. Sinta-se conosco. Seja feliz!
Feliz aniversário!
Drummond
Meu primeiro amor
Muito me ensinou meu primeiro amor.
Ensinou-me que amar é tarefa para uma vida
E que, mesmo quem ama, não está isento de cometer erros.
Que os erros que cometemos não são imperdoáveis.
E que o desejo do amor e do reconhecimento persistirá, não importa nossa idade.
Ensinou-me que devemos ser gratos para com os presentes da vida.
Corretos e justos com os que passam pelo caminho.
E tolerantes com as surpresas indesejáveis que se apresentam.
Ensinou-me a verdade, mesmo quando ela dói.
A persistir nos sonhos, mesmo quando os sentimos inalcançáveis.
Ensinou-me a ter compaixão e simplicidade.
Ensinou-me que a paciência é uma virtude a ser cultivada nos momentos mais urgentes.
Ensinou-me que o amor se multiplica e se distribui
E que é a maior herança que deixamos, inigualável.
Ensinou a amar meus filhos, a cuidar deles de corpo e alma
E a educá-los, mesmo quando discordei dos métodos adotados.
Ensinou-me a ficar calada quando as palavras não fazem sentido
E a falar, quando o silêncio se faz pesado a nossa volta.
Ensinou-me a rir das bobagens sem importância.
E a chorar, mesmo sob olhares de desaprovação e crítica.
Ensinou-me a andar de bicicleta.
A pregar botões e costurar pequenos defeitos nas roupas.
Ensinou-me a gostar de ler belos livros.
E a cozinhar os pratos que hoje preparo para os meus filhos.
Ensinou-me que um abraço é um recanto para o desespero
E que a distância é cruel, mas grande mestra.
Que a saudade chora a solidão dos pensamentos
E que, para crescermos, temos que contar, às vezes, apenas conosco mesmos.
Meu pai e minha mãe
Mestres e exemplos de muitas aprendizagens de minha vida
Que fizeram de mim grande parte do que sou…
Amo vocês!
Incansável mente
Inteligência não basta
Quando a mente trai
Descaradamente
O desejo incansável
Do coração.
É preciso mais!
Tem que haver sabedoria
(mas, aí, já é uma longa história…
tão longa quanto o tempo de uma vida!)
Apenas peço que não me julgues…
As palavras são bem vindas
Quando não apontam o dedo
Para os defeitos conhecidos.
Ideias fixas
Ansiedade
Ensaio sobre o amor
“Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você…”
O peso das palavras
Sobre as crianças e suas "artes"
Crianças e suas artes.
Antes de ontem, no meio da tarde, fui surpreendida por um telefonema da orientadora da escola do meu filho mais velho:
– Ana, o João fez uma arte.
– O quê? O que aconteceu? – pensando em dentes quebrados e fraturas expostas.
– Bem, ele e o Bruno (seu grande amigo) resolveram colocar um grão de milho no ouvido, no caso, no ouvido do Bruno.
– Não acredito!
– Sim, a mãe do Bruno já veio pegá-lo para levá-lo ao médico e o João está aqui, aos prantos, porque acha que vai ser expulso da escola.
– Ai, ai, ai!
– Já acalmei-o, mas agora ele está preocupado com o Bruno.
– Bem… Vou buscá-lo!
No carro:
– João Pedro, por que vocês fizeram isso?
– …
– Conte-me, meu filho!
– Um dia, o Lui não estava um pouco resfriado e, por causa disso, teve dor de ouvido?
– Sim.
– E quando você coloca aquele remédio no meu nariz, eu não sinto o gosto dele na boca?
– Sim.
– E quando o Lui teve aquela sinusite, que virou conjuntivite e saiu um pouco de melequinha pelo olho dele?
– Sim, o que tem tudo isso?
– Então não está tudo meio junto, nariz, boca e ouvido?
– De certa forma.
– Então, fizemos uma experiência científica! Colocamos um grão de milho no ouvido do Bruno para ver se caía na boca!
– Então foi isso?
– Sim… mas só descobrimos que deu errado, depois que o milho já estava lá…
– Ai…
Seguiu-se a esse diálogo uma aula de ciências e outra sobre os perigos de se colocar coisas no nariz e no ouvido. Perguntas feitas, explicações detalhadas, telefonemas para a mãe do Bruno, tudo certo, tudo entendido.
No outro dia, na chegada da escola, ambos se encontraram no portão de entrada.
Bruno grita:
– João… tiraram a espiga do meu ouvido!
João Pedro responde:
– Era só um grão, Bruno. Você acha que caberia uma espiga?
Risos.
Ainda bem que não cabe.




