há uma fissura em algum lugar da alma de onde emergem demandas pueris tolas infantes incrustadas num beco escuro da memória dos tempos imemoriais.
Arquivos do autor:Ana Bittencourt
Sirius
na aridez dos tempos achar por entre as frestas risos em cores cafés com creme conversas em si bemol e um punhado de estrelas amontoadas no meio do peito.
Jenga
sempre nos é permitido repensar o pensado rever um argumento escolher outro caminho reparar uma história. como um jogo nada infantil a vida sempre pode ser desfeita e refeita com um novo arranjo de novo e de novo outra vez e mais uma.
Giratório
me perdi entre as vírgulas do texto sem palavras em busca do sentido metafórico das estrofes entre parênteses querendo algum indício de sua caligrafia perfeita para guardar com os cartões postais dos lugares onde não estivemos.
Alvorada
ainda que o frio da noite e o escuro dos dias nos deixem menos confortados ainda que o estranho dos outros e os tormentos da mente nos tornem menos crentes é certo que o dia nasce e o sol amanhece.
Breu
a chuva fez sumir os pássaros os credores e os dilemas. a noite, muda, seguiu tão escura quanto o quarto dos fundos, tão silenciosa quanto uma sala de espera.
Gato
da janela observo o gato do vizinho roçar as unhas nas almofadas da varanda de outra casa depois de caminhar incólume pelo capô dos carros. o gato do vizinho só não é mais calhorda do que os teus poemas.
Inadiável
escutar os carros que correm pela avenida ao longe e pensar com quantos decibéis se gritam os desejos mais urgentes
Selvagem
matar um leão por dia me ensinou a rosnar mesmo quando, deitada sob o sol, me esqueço dessa vida selvagem.
Reminiscência
às vezes não me lembro e, se recordo, não me reconheço de tantas que fui do quanto mudei. renasço! quem fui, não sou mais quem vou ser, ainda não sei.