Sem conseguir cumprir uma das minhas promessas para o novo ano (o que chamei de vício da escrita), acabo por descobrir que o trabalho é uma excelente clínica de reabilitação… não deixa tempo nem espaço para as idéias que alimentam o desejo…
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Resoluções de Ano Novo
Tenho várias resoluções para o Ano Novo. Ainda vou escrevê-las aqui. Mas, uma delas, é não abandonar o “vício de escrever”, não deixando este blog abandonado como esteve nos últimos meses. São poucos os vícios interessantes. Este é um deles.
Escrita interior
Instalou-se o desejo de libertar-se. Não havia mais o que fazer com aquele sentimento desagradável e desajeitado. Já percebera que não havia solução para aquilo. Não se pode mudar as pessoas, nem desejar que as situações se resolvam por si mesmas. Há o desejo sempre infantil de que alguma mágica aconteça. Mas não… ela talvezContinuar lendo “Escrita interior”
Re-sentimento
Pegue sua raiva. Ponha-a em um recipiente. Guarde-a. Deixe-a destilando por algum tempo. Não, não despeje-a imediatamente, substância turva, azeda, vômito incontido. Deixe-a quieta. Olhe de longe para ela, analise-a, resguardando-se – o tanto quanto isto for possível! Separe os elementos mais sólidos dos fluidos. Quando percebê-los com nitidez, escolha os mais interessantes. Ou osContinuar lendo “Re-sentimento”
Idéia Fixa
Era uma menina cismada. Algo acontecia e aquilo ficava dias lhe rondando os pensamentos. Alguém lhe incomodava e aquela pessoa passava a fazer parte de sua rotina, hora após hora em sua cabeça, imaginando cenas e situações que ainda poderia viver. Sua mãe lhe dizia: deixe de devaneios, menina! Escute uma música, olhe as estrelas…Continuar lendo “Idéia Fixa”
Insônia
Veio a chuvaSem tréguasPara lavar a almaE borrar palavrasMal colocadas.Permaneceu a umidade nas letrasO frio, o desejo do aconchego.Deixar o tempoPassar e se encarregarDe recolher as pedrasLançadas.
Jardim da alma
Não ouso permitir que a pequena idéiaA pretensa fraseA estranha palavraFugidias, escapem de mim.Ponho-as no papel, todas.Para revelarem a mim mesmaMinha almaE me permitirem construirPouco a poucoMeu jardim.