Para ficar um pouco mais idílica
A vida, às vezes, precisa
De uma pequena dose etílica.
Rima poética
Tentei rimar mudança
Com resiliência
Mas a rima não se fez.
Com as palavras, nova dança
Para se ter poesia outra vez.
Solidão
Aprendi a extrair da solidão
Fonte contínua de inspiração…
Teia da existência
Nossa vida
É teia, entrelaçamento
Em outras vidas
Vivências e experiências
Que começaram antes de nós
E se prolongam
Para além de nossa existência.
Nossos pais são história
Presentificam na memória
O que foi visto e vivido
Experenciado e partilhado
Tudo o que foi trilhado
Até agora.
Nossos filhos são projeto
Sementes de prolongamento
Da nossa própria existência
Eternização do que somos
Desejos do que gostaríamos
Possibilidade de permanência
No espaço e no tempo.
Desejo e pesar
Desejo sempre constante
De voltar àquele lugar
Rever, reviver, reencontrar
Relembrar…
Junto com o desejo
O medo, a dúvida, o pesar…
Terá sido bom mudar?
Conseguira superar?
Pessoa – releitura
Navegar é preciso
Viver é impreciso…
Rubem Alves
Há autores que sempre valem a pena: para serem lidos, citados, comentados. Rubem Alves é um deles. Sempre transbordando sabedoria em suas palavras. Boas palavras devem ser sempre lembradas. São alimento para a alma. Sendo assim…
“Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.”
Saramago
“Estranha relação é a que temos com as palavras. Aprendemos de pequenos umas quantas, ao longo da existência vamos recolhendo outras que vêm até nós pela instrução, pela conversação, pelo trato com os livros, e, no entanto, em comparação, são pouquíssimas aquelas sobre cujas significações, acepções e sentidos não teríamos nenhumas dúvidas se algum dia nos perguntássemos seriamente se as temos. Assim afirmamos e negamos, assim convencemos e somos convencidos, deduzimos e concluímos, discorrendo impávidos à superfície de conceitos sobre os quais só temos ideias muito vagas e, apesar da falsa segurança que em geral aparentamos enquanto tacteamos o caminho no meio da cerração verbal, melhor ou pior lá nos vamos entendendo, e às vezes, nos encontrando…”
Ou desentendendo e, assim, desencontrando…
Amor
De tudo o que passa
Aquilo que permanece
O que fica e edifica
É o amor…
Em tempos turbulentos
E momentos desgastantes
No meio do insignificante
Ele nos ajuda a significar
A vida novamente…
Sem ele somos carcaça…
Sem ele, apenas fumaça…
Sem ele, qualquer tentativa
De construção ou caminhada
É vã, frágil, estéril.
Somos destinados
Ao que é sublime.
Destino etéreo…
Transitório
Sutis atitutes
Escolhas imperfeitas
Palavras mal desenhadas
Maneiras controversas
Atitudes esquivas, estreitas
Superficialidade
À espreita.
E as pessoas nos mostram
A matéria de que são feitas.
Por isso, por tudo,
Pela obliquidade,
Sela-se, também nas pessoas,
Sua transitoriedade.