Exercícios de ser criança (M.B.)

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
Que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que carregar um vento e sair
correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
o mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio
Do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
E até infinitos.
Com o tempo, aquele menino que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira,
com o tempo, descobriu que escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever, o menino viu
que era capaz de ser noviça, monge ou mendigo.
Ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o voo de um pássaro
botando um ponto no final da frase.
Foi capaz de modificar a tarde colocando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

O livro dos abraços

Quando Lucia era pequena, leu um romance escondida. Leu aos pedaços, noite após noite, ocultando o livro debaixo do travesseiro. Lucia tinha roubado o romance da biblioteca de cedro onde seu tio guardava os livros preferidos.
Muito caminhou Lucia, enquanto passavam-se os anos. Na busca de fantasmas caminhou pelos rochedos sobre o rio Antióquia e, na busca de gente, caminhou pelas ruas das cidades violentas.
Muito caminhou Lucia e, ao longo de seu caminhar, ia sempre acompanhada pelos ecos daquelas vozes distantes que ela tinha escutado, com seus olhos, na infância.
Lucia não tornou a ler aquele livro. Não o reconheceria mais. O livro cresceu tanto dentro dela que agora é outro, agora é dela.

Egocêntricos

“Diz-se daquele que refere tudo ao próprio eu, tomado como centro de todo o interesse”. É desta forma que o dicionário define o egocentrismo, comportamento fácil de ser identificado no ambiente de trabalho e que pode fazer com que o clima organizacional se degrade. Os profissionais egocêntricos podem estar em todos os níveis hierárquicos, mas eles acabam por se destacar em níveis mais altos. Quando estão na liderança, geram medo, não dão espaço para os outros crescerem, suas ideias são as mais importantes e os erros são sempre dos outros. O resultado: a organização serve ao egocêntrico e não ele à organização.
Por se considerar “acima do bem e do mal”, ele acaba sendo agressivo. O ambiente de trabalho, por sua vez, se degrada em função dos conflitos gerados e do mal-estar existente. Este tipo de pessoa acaba causando repúdio nos colegas e subordinados.
O egocentrismo é uma ferramenta de defesa de uma pessoa que tem baixo nível de auto-estima e confiança. Um nível controlado de auto-estima fortalece a pessoa, sem exaltar o ego.

Fé na vida

Vivemos em tempos difíceis nos quais os problemas, os “nós”, as tentações, a falta de paz, enfim, os males que nos cercam de todos os lados parecem querer nos devorar vivos, como leões. (I Pedro 5,8). Há que perguntar: já houve tempos fáceis?
A fé que nos mantém, qualquer que seja ela, é também aquilo que nos move e nos leva em frente. É preciso crer em algo maior para que a vida faça sentido.