Egocêntricos

“Diz-se daquele que refere tudo ao próprio eu, tomado como centro de todo o interesse”. É desta forma que o dicionário define o egocentrismo, comportamento fácil de ser identificado no ambiente de trabalho e que pode fazer com que o clima organizacional se degrade. Os profissionais egocêntricos podem estar em todos os níveis hierárquicos, mas eles acabam por se destacar em níveis mais altos. Quando estão na liderança, geram medo, não dão espaço para os outros crescerem, suas ideias são as mais importantes e os erros são sempre dos outros. O resultado: a organização serve ao egocêntrico e não ele à organização.
Por se considerar “acima do bem e do mal”, ele acaba sendo agressivo. O ambiente de trabalho, por sua vez, se degrada em função dos conflitos gerados e do mal-estar existente. Este tipo de pessoa acaba causando repúdio nos colegas e subordinados.
O egocentrismo é uma ferramenta de defesa de uma pessoa que tem baixo nível de auto-estima e confiança. Um nível controlado de auto-estima fortalece a pessoa, sem exaltar o ego.

Fé na vida

Vivemos em tempos difíceis nos quais os problemas, os “nós”, as tentações, a falta de paz, enfim, os males que nos cercam de todos os lados parecem querer nos devorar vivos, como leões. (I Pedro 5,8). Há que perguntar: já houve tempos fáceis?
A fé que nos mantém, qualquer que seja ela, é também aquilo que nos move e nos leva em frente. É preciso crer em algo maior para que a vida faça sentido.

Brasília – recortes e releituras

Brasília é construída na linha do horizonte – artificial. Tão artificial quanto deve ter sido o mundo quando criado. É bonita? Se eu dissesse isto, diriam que gosto dela, mas digo que ela é a imagem da minha insônia. Uma acusação? Minha insônia sou eu, é vívida, é meu espanto.
Em Brasília tenho medo – vejo urubus sobrevoando ao longe. O que estará morrendo, meu Deus?
Brasília é praia sem mar, é prisão ao ar livre.
Todo um lado de frieza humana que eu tenho, encontro em mim aqui em Brasília e floresce gélido, potente, força gelada da Natureza. Aqui é o lugar onde os meus crimes (não os piores, mas os que não entenderei em mim), onde os meus crimes não seriam de amor. Vou embora para os meus outros crimes, aqueles que eu e Deus compreendemos.

Clarice

Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? Assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou, por assim dizer, vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir de modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.