Gente

Conheço todo o tipo de gente
Gente triste, gente contente.
Gente que liga, assim, de repente
E os que nem lembramos serem parentes.

Há quem ligue só quando quer dinheiro
Há os que apareçam em dia certeiro
Há gente que gosta do que é verdadeiro
E os que não quero saber nem do enterro.

Há gente que vejo sempre
Há quem veja apenas em casamento
Há os que desejo ter em mente
E outros de quem prefiro não tomar conhecimento.

Há gente com quem se pode contar
E muitos para quem nada se pode falar…
Há gente por quem queremos procurar
E outros que, por muito pouco, cismam de “se achar”

Há gente que, apesar da seriedade
Encontra espaço para o riso de verdade
Veem a dor, mas também a beleza
Sentem a intensidade da vida
E a vivem em sua “inteireza”…

Desejo gente como a gente.
Por perto os que podem partilhar
Os que riem conosco e nos fazem acreditar
Que a vida no meio de gente
Faz do nosso tempo, tempo a recordar…

Presente precioso

Para Ivan e Helô que me mandaram gentilmente esta história cheia de sabedoria e a quem tenho em lugar especial cá no coração…

“É bom pensar sobre o passado e aprender com ele
Mas não é bom estar no passado
Pois assim eu perco meu eu.

Também é bom pensar sobre o futuro e me preparar para ele
Mas não é bom estar no futuro
Pois assim também perco meu eu.

E quando eu perco meu eu, perco o que é mais precioso para mim.
É tão simples: o presente me abriga…”

Pessoas

Trabalho com pessoas. Adultos, crianças, famílias. Gosto de gente. Sinto-me solidário com o que é humano: dúvidas, incertezas, dificuldades, contradições, medos, alegrias. Ao mesmo tempo, não deixo de estar frequentemente surpresa com alguns comportamentos, atitudes e principalmente com o nível de doenças emocionais que atingem as famílias. A sociedade encontra-se esfacelada e as famílias também estão feitas em pedaços. Pais e mães não sabem como agir com os filhos, não há limites construídos para os comportamentos e, principalmente para as ações, não há valores éticos permeando as escolhas e atitudes dos adultos e, consequentemente, das crianças. Pais ausentes, mães ocupadas, crianças voluntariosas. Consumistas, materialistas, superficiais. Egocêntricos, acríticos, descentrados. Todos. Muitos. Doentes emocionalmente, psicologicamente, tais crianças crescerão sem norte, sem suporte, sem escolhas, perpetuando a doença da sociedade. Preocupação…