Máquina humana

Não me dou com números e códigosFrios, calculados, exatosQuase perfeitos.Admira-me quem o faz…Mas gosto mesmo das palavras, suas composiçõesIdéias, sentidos atribuídosGestos subentendidosDesejos expressos e contidos.Das máquinas… atrai-me a humanaSuas idiossincrasias, singularidadesSeus afetos, seus sentidosSeus enganos, erros cometidosFrustrações e imperfeições.Não me dou com a exatidão.Prefiro a possibilidade remotaA curva na estrada, a flutuação…

Bebidas

Quero beber a vida em taça de cristalCom algumas frutas frescasMuitas pedras de geloE adoçada com mel Nos quentes dias de verão dos trópicos…E quero continuar a bebê-la Em uma grande caneca com alça lateralQuente, espessaPolvilhada de canelaE com um toque de cacauQuando o inverno quiser gelar Nosso espírito e nossos sonhosE quando o cinzaContinuar lendo “Bebidas”

Fernando Pessoa

Pessoa novamente… sempre. Ameaçou chuva. E a negra nuvem passou sem mais… Todo o meu ser se alegra Em alegrias iguais.Nuvem que passa… Céu que fica e nada diz… Vazio azul sem véu Sobre a terra feliz… E a terra é verde, verde… Por que então minha vista Por meus sonhos se perde? De queContinuar lendo “Fernando Pessoa”

Fernando Pessoa

Retrato do céu. Metáfora da alma. Tenho dó das estrelasluzindo há tanto tempo,há tanto tempo…Tenho dó delas. Não haverá um cansaço das coisas,de todas as coisas (…)?Um cansaço de existir,de ser, só de ser,o ser triste brilhar ou sorrir…Não haverá, enfim,para as coisas que são,não a morte, mas sim uma outra espécie de fim,ou umaContinuar lendo “Fernando Pessoa”