Não me dou com números e códigosFrios, calculados, exatosQuase perfeitos.Admira-me quem o faz…Mas gosto mesmo das palavras, suas composiçõesIdéias, sentidos atribuídosGestos subentendidosDesejos expressos e contidos.Das máquinas… atrai-me a humanaSuas idiossincrasias, singularidadesSeus afetos, seus sentidosSeus enganos, erros cometidosFrustrações e imperfeições.Não me dou com a exatidão.Prefiro a possibilidade remotaA curva na estrada, a flutuação…
Arquivos do autor:Ana Bittencourt
Bebidas
Quero beber a vida em taça de cristalCom algumas frutas frescasMuitas pedras de geloE adoçada com mel Nos quentes dias de verão dos trópicos…E quero continuar a bebê-la Em uma grande caneca com alça lateralQuente, espessaPolvilhada de canelaE com um toque de cacauQuando o inverno quiser gelar Nosso espírito e nossos sonhosE quando o cinzaContinuar lendo “Bebidas”
Passado
Nosso passado sempre nos condenará? Seremos sempre confundidos com nossos atos cometidos em pleno processo de aprendizado de viver? Espero que não… A flecha do tempo corre em uma única direção e o passado deve se converter no arco por meio do qual empunhamos tal flecha. Não temos como mudar o que já foi. ÉContinuar lendo “Passado”
Feriado
Simples constatação:Gripe em pleno feriado de CarnavalCausa embotamento intelectual.
Programação
A vida cumpre com seu cronogramaNossas expectativas não estão no programa
Incoerências
Estou disponível… em outro lugarTenho capacidade… para outra coisaPosso fazer… não há interessePosso mudar… deixe como estáSei a receita… cadê os ingredientes?Conheço parte da estrada… perdi o mapa. Pedras aqui e ali… estão ou são o caminho?
Long night
TonightI could remember that timeA place so lifelikeThat I still can feel it inside.After that… a dream.Strange, grey and empty dreamLong dream… too much long!People just passing byNot staying… not talking…Nothing around…Long night inside.I hope tomorrowThe sunrise can finally wake me upTo find again the happiness by my side…
Fernando Pessoa
Pessoa novamente… sempre. Ameaçou chuva. E a negra nuvem passou sem mais… Todo o meu ser se alegra Em alegrias iguais.Nuvem que passa… Céu que fica e nada diz… Vazio azul sem véu Sobre a terra feliz… E a terra é verde, verde… Por que então minha vista Por meus sonhos se perde? De queContinuar lendo “Fernando Pessoa”
Capitu
Naquele momento ela poderia ter sido a inspiração para Machado criar sua Capitu. Sentia, dentro de si, a força do mar batendo, limando os seixos, invadindo a passagem, deixando tudo avesso. Era sua alma agitada extravasando na sua fala, seus gestos, seus olhos. Os olhos… de ressaca.
Fernando Pessoa
Retrato do céu. Metáfora da alma. Tenho dó das estrelasluzindo há tanto tempo,há tanto tempo…Tenho dó delas. Não haverá um cansaço das coisas,de todas as coisas (…)?Um cansaço de existir,de ser, só de ser,o ser triste brilhar ou sorrir…Não haverá, enfim,para as coisas que são,não a morte, mas sim uma outra espécie de fim,ou umaContinuar lendo “Fernando Pessoa”