Ao final da tarde, nuvens pesadas de chuva cresceram do calor que fizera durante o dia. Novamente. Os verões são assim: intensos, temperamentais, quase malcriados. E, talvez, assim deva ser. Não há verões sem o tormento das fortes chuvas, assim como não há invernos sem gostosos dias de sol. Lembro-me dos outonos de minha infância:Continuar lendo “Estações”
Arquivos do autor:Ana Bittencourt
Pérolas
Título de um livro de Rubem Alves: “Ostra feliz não faz pérola”. Resta-me supor que estes grãos de areia a me perturbar, incomodar, coçar, injuriar, que, nas ostras, se tornam preciosidades que compõem belos ornamentos, estejam se transformando em algo precioso em mim também, feito de letras, palavras, frases, textos. Ornamentos que tentam dar sentidoContinuar lendo “Pérolas”
Trigêmeos
Minha irmã teve três bebês. Trigêmeos. Três de uma só vez, juntos. Milagre da vida e da ciência. Tudo em triplo: sustos, alegrias, descobertas, choros, fraldas, resfriados, banhos, tombos, cansaço… E o encantamento… Três pequenas criaturas diferentes que nos seduzem em dose tripla. Não os tenho por perto. Moro longe. Sinto falta de vê-los crescerContinuar lendo “Trigêmeos”
Mamãe e o sentido da vida
Li num livro: “Somos criaturas que buscam sentido, que tem que lidar com o inconveniente de serem lançadas num universo que, intrinsecamente, não tem sentido algum”. Palavras perfeitasCompletasPlenas de sentido.Dizem tudo sobre meu momento.Gostei tanto que passaram A fazer parte de mim.Tornaram-se um pouco minhas.
Desejo
Queria pegar tudo: Escrita esmeradaRasgos de inspiraçãoFrases elegantesLeituras enlevadasPensamentos desconcertantesCompondo-os, construindo-os,Transformando-os todosNum relicário de palavras…
Crepúsculo
Em que lugar a estrada fez a curvaE eu me perdi?
Dito e feito
Tudo ditoTudo feitoFito o presente imperfeito.
O tamanho das coisas
Aqui e ali… Vou passandoVou ficandoPouco ou o suficiente…Conheço o sol, o mar, a praiaConheço a poeira, a secura na gargantaConheço frio e calor extremos Mate tomado frio ou tomado quente.Conheço alegrias e decepçõesCoisas e gentesQue acabam por deixar sua marcaPela beleza ou pela necessidadeDe serem apagadas da mente.Aqui e ali, tudo vai se conhecendoMuitosContinuar lendo “O tamanho das coisas”
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Não queres que eu me divida contigoNão queres ouvir queixas, ver minhas fraquezasQueres apenas a imagem de mimManter longe a dúvida, ter o conforto da certezaA idéia de que tudo permaneceE que os abalos são de pequena grandeza.Resta-me ficar comigo mesmaTentando desesperadamente aceitar O que quer que seja.Restam meus pensamentos recorrentesMinhas poucas palavrasMinha teimosa franqueza.
Tristeza
A tristeza que perduraCá dentro em mimProcura na razãoUma explicaçãoPara a não continuidadePara a necessidade do fim.