Os outros… quem são? “Nós envolvemos o contorno físico da criatura que vemos com todas as idéias que já formamos a seu respeito e, nesse retrato completo que criamos em nossa mente, essa idéias constantemente tem o papel principal. No final, elas preenchem tão completamente a curva de suas faces, seguem tão exatamente a linhaContinuar lendo “Proust”
Arquivos do autor:Ana Bittencourt
Não seja gentil (Yalom)
Eu eu era tão seguro. Que arrogância! E agora, que tipo de verdade eu estava perseguindo? Acho que meu alvo é a ilusão. Eu luto contra o encantamento. Creio que, embora a ilusão seja muitas vezes alegre e confortadora, ela essencialmente sempre enfraquece e constringe o espírito…A vida não examinada não vale a pena serContinuar lendo “Não seja gentil (Yalom)”
Olhos toldados
Ela sentou-se e chorou.Sentia-se devastada…Haviam morrido sonhosProjetos, esperançasCertezas, ilusõesLógicas, lembranças…Foi-se um edifício inteiroDo que havia feito primeiroPôs-se a questionarEntrever, imaginar.Ficou voltada para siMergulhou fundo no que permaneceuE com os olhos turvos pode ver melhorO que era de outros e o que era seu.
Cecília – releitura
O pranto… no instante em que visteQue a vida se mostrava incompletaPor vezes alegre… outras muitas, tristeNão sei… poeta? Cônscio de que a vida fugidiaExige mais gozo que tormentoQueria viver noites e diasSem sentir apenas… vento! Sem mais… desmorona, edificaPermanece, perfazParece mais nada saber.Não sabe se fica ou se desfaz. Sei que há o pranto.Continuar lendo “Cecília – releitura”
Satisfação – pelo meu pai
Esta foi escrita pelo meu pai e faço questão de publicá-la. A satisfaçãoquando vemtraz problemas.Ao chegaramplia o horizontede viverde amarde sentir.Ela não estancao amor saciado.Ela amplia as possibilidadesna busca da felicidadeque para ser alcançadadepende da insatisação.
Pequenos
Gosto dos pequeninos. Quanto menores e mais novos, mais trabalho e cansaço nos dão. Mas, ao mesmo tempo, nunca serão tão nossos como quando são apenas pequenos. Protegidos em nosso mundo previsível e rotineiro, vivem totalmente vinculados à nossa própria existência. Gosto de pegá-los ao colo. De beijá-los sentindo o cheiro gostoso de suas peles.Continuar lendo “Pequenos”
O peso das idéias
Arrumei meus livros.Um a um fui colocandoCada qual em cada canto.Re-arranjandoRedistribuindoSegundo finalidadeOu encanto.Depois de tudo prontoVeio-me a dor nos braçosO incômodo nos ombros.Não sabia que as palavrasPesavam tanto.
Gravidez de idéias
Novas idéiasMudança de rumoUma nova estrada.Tempo…A vida precisaSer gestada…
Leveza
A inundação tomou conta…Invadiu os espaços Com espessas lágrimasE tremores de tristeza imensa.Depois de secas as angústiasSerenados os temoresRepensados os sonhosAquietados os pensamentos…Um singelo instante.Uma brincadeiraRisadas.Leveza que paira no arComo uma pequena plumaQue registra aquele momentoE apaga todo o restante.
Jardim da alma
Não ouso permitir que a pequena idéiaA pretensa fraseA estranha palavraFugidias, escapem de mim.Ponho-as no papel, todas.Para revelarem a mim mesmaMinha almaE me permitirem construirPouco a poucoMeu jardim.