Dormi tarde e acordei com sono. A comida da noite, ingerida sem apetite em meio às balbúrdias de crianças e cachorros, não caiu bem. Indigesta, ficou revirando no estômago, tal como eu na cama de hóspedes da casa de meus pais. Dormir fora de casa sempre traz algum estranhamento. Dormir em casa traz os ruídosContinuar lendo “Sem voz”
Arquivos do autor:Ana Bittencourt
Excesso de mim
Dia fresco e claro. Manhã cristalina. O vento que sacode o dourado dos ipês traz o resto de frio do inverno enquanto leva minha mente por lugares e tempos distantes. Faz-me pensar no que fora deixado no caminho e no que é preciso deixar de carregar além do peso das roupas.Tenho pensado em fusões eContinuar lendo “Excesso de mim”
Sonho e realidade
a batalha travada em mim coloca em evidência sentimentos brutos, fortes, nauseantes quase inaudíveis nāo sei fingir que nāo me importam a febre que me acomete a impossibilidade de ser mais leve o tamanho do que sinto (quase me perco de mim) sonho com possibilidades: o resgate sem pagamento o planejamento (quase) sem falhas aContinuar lendo “Sonho e realidade”
Por hoje
Hoje vesti-me com um belo vestido, tentando disfarçar o semblante cansado. O sorriso, ora doce, ora distante fazia as vezes de normalidade. Os olhos opacos queriam apenas encarar o horizonte à procura da minha alma. Acabei o dia com a maquiagem borrada.Lembrei-me da citação: “Somos desfeitos pela verdade. A vida é um sonho, é oContinuar lendo “Por hoje”
Outono
não espere que eu desabroche enquanto eu não flor
Silêncio
vontade de falar não me deixa (um momento sequer) mas o silêncio se faz certo enquanto não posso estar por completo
Leminski
a noite – enorme tudo dorme menos teu nome
Defeitos
tanto olho meus defeitos – tecido, alinhavo de erros, não tem jeito – que eternamente espero o dia em que meus mal feitos apontando o dedo me digam: bem feito!
mais mergulho
falta que (te) sinto mergulho em silêncios de ruídos infindos
os sonhos e pesadelos de agora
Porque, nos últimos meses, ao sentar para escrever algo e deixar meu cotidiano de lado, as palavras me escapam… me fogem… Um quadro branco se posta em minha frente imutável, silencioso, sentencioso. Tenho sido engolida por tudo o que me afasta dos sonhos, mas também tenho me ocupado demais dos sonhos, dos planejamentos, dos fatosContinuar lendo “os sonhos e pesadelos de agora”