a cidade se mostra com seus muros altos e cinzas
de onde florescem concertinas, alarmes e cercas
as ruas semi cheias de grandes carros inurbanos
a compensar as pequenas mentes dos proprietários
o seco calor que inflama as ideias e os afetos
com grandes enxurradas de incômodos
as rasas crenças em diminutas autoridades
servis a gestos e juízos censuráveis
os saltos muito finos das opulentas senhoras
deselegantes em seus inumeráveis e ridículos excessos
a superficialidade perene dos gestos e afagos
a nos atirar fundo em desejos de trair
o pretenso ordenamento do caos,
de ruptura às histórias toscas e pueris,
de fuga para uma Pasárgada à beira-mar.

e o desmatamento urbano a asfixiar os pulmões sem cercas das artérias dos corações das ruas (e dos nossos)…e de repente até à beira-mar o mar invade as areias de Pasárgada pelo derretimento polar…até o caos está terminal.
CurtirCurtido por 2 pessoas
O caos está à nossa espreita…
CurtirCurtir
Gosto de ver como as cidades são ou com o que se parecem. Lembro Mario, Borges e Baudelaire. Algumas damas dizem que as cidades são masculinas. Feitas por homens para homens. Talvez por isso o caos…
CurtirCurtido por 1 pessoa
Talvez elas tenham razão. A maioria das cidades pouco acolhe.
CurtirCurtir
Interessante o comentário da Lunna, principalmente porque cidade é um nome feminino. Talvez por isso, homens as violentam. Os carros interferem no psique coletivo – objeto de amor, arma perigosa de morte. Não traio a mim na minha opção de ser passageiro. Não tenho carta de motorista. A maioria das pessoas não tem condições psicológicas de dirigir. É incrível que, apesar do volume de acidentes, não ocorra um maior número de vítimas.
CurtirCurtido por 1 pessoa
Interessante seu comentário. Embora cidade seja um nome feminino, há pouco de maternal, estético ou afetuoso na maior parte delas. Assim como quase não há espaços para crianças. Por sua vez, carros certamente são masculinos. Símbolos de potência, os donos de “carrōes” gostam de exibi-los como grandes falos. Ninguém nunca contou a eles o extremo ridículo desse exibicionismo.
CurtirCurtido por 1 pessoa
Bom, isso normalmente é estimulado pelo pai e elogiado pela mãe, suponho. No meu caso, percebi que tirar carta de motorista surgia como uma espécie de rito de passagem civilizado. Eu decidi não participar desse ritual. Para me ajudar, vi uma exposição no Instituto Goethe sobre autobans que tentava demonstrar o condicionamento que o carro criou. O brasileiro adora estar preso ao automóvel como sinal de liberdade. O que é interessante é que muitas mulheres gostam abertamente de carros e costumam se tornar grandes entendedoras desse símbolo de poder. Aliás, o que a mulher não faz melhor?
CurtirCurtido por 1 pessoa
💜🧡💙🤍
CurtirCurtido por 1 pessoa
A cidade, uma história sem fim, onde a ordenação é um processo latente, sem fim.
É um prazer ler-vos.
CurtirCurtido por 2 pessoas
Tens razão, a cidade é um movimento que não cessa.
Muito obrigada pela presença.
CurtirCurtido por 1 pessoa