Imprevisível

no caminho indeterminado da vida

– poeira, cascalhos, atalhos e curvas-

há imprevistos que nos desconcertam,

nos fazem perder a marcha,

ralar os joelhos, machucar as mãos.

sentimo-nos cochos, vulgares,

desprovidos da beleza

que o balé dos movimentos

provoca em quem o vê.

nem sempre fecham-se as feridas,

quase nunca esquecem-se os tombos,

fatalmente permanecem as cicatrizes.

Escultura em bronze de Lotta Blokker.

Publicado por Ana Bittencourt

escrever para remendar a infância a loucura escrever para estranhar o pai a mãe semelhanças escrever para cerzir terra corpo paisagem escrever carne viva (Tatiana Pequeno)

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